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Quarenta e seis anos depois, Angola precisa de deixar para trás a era do Petróleo

A economia angolana vive, desde a independência, movida pelo petróleo, que a submeteu a ciclos de estagnação, expansão e retracção, devido à oscilação do preço, da produção e da quebra dos níveis.

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José Zangui
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José Zangui

Especialistas de várias áreas consideram que um país só é verdadeiramente livre quando, além da independência política, obtém a independência económica. Em Angola, a história pós-independência é caracterizada por avanços e retrocessos a nível económico, devido a inúmeros factores, entre a guerra civil, que empobreceu grande parte dos angolanos, dilacerou o tecido humano e destruiu importantes infra-estruturas construídas antes do 11 de Novembro de 1975.

Há 46 anos, quando António Agostinho Neto proclamou a independência de Angola, os angolanos criaram enormes expectativas de construção de um país que lhes proporcionasse bem-estar social. Entretanto, de acordo com Galvão Branco, analista para assuntos macro-económicos, essas expectativas foram frustradas pela guerra, que só terminou em 2002.

Neste período, prosseguiu, muitos recursos humanos que poderiam contribuir para o desenvolvimento abandonaram o país, causando um enorme défice neste aspecto. Acrescentou que, após a independência e a adopção de um modelo económico centrado no Estado, Angola se decidiu a fazer a primeira reforma económica, com a criação, em 1987, do Programa de Saneamento Económico e Financeiro (SEF), que visava a adopção do modelo de economia de mercado, maior abertura à iniciativa privada e demais acções que favorecessem a mobilização de recursos financeiros, o investimento nacional e estrangeiro e a estabilização macroeconómica.

Na mesma senda, o economista Marlino Sambongue afirmou que, entre 1975 e 1998, a economia angolana apresentou, de forma global, um ciclo praticamente de estagnação, com as taxas médias anuais de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a rondarem 1%. Apesar de a produção petrolífera ter passado de 50 mil barris/dia para os 739 mil barris/dia, o preço médio de exportação do barril no mercado internacional oscilava entre os 12,5 dólares e os 35 dólares.

Segundo a fonte, como forma de dar credibilidade ao processo de implementação do SEF, Angola solicitou adesão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em Agosto de 1987, tendo sido admitida naquela instituição em Setembro de 1989. Contudo, lembrou que apenas em Julho de 1995 é acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) o primeiro programa monitorizado sem qualquer contrapartida de desembolso financeiro deste.

Leia o artigo completo na edição de Novembro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Independence

46 years later, Angola needs to exit the oil era

Since independence, the Angolan economy has been driven by oil, which has subjected it to cycles of stagnation, expansion and retraction due to price and production oscillations and drops of production levels.

Some specialists consider that a country is only truly free when, in addition to political independence, it obtains economic independence. Angola’s post-independence economic history is characterized by advances and retreats due to numerous factors, among which the civil war that impoverished the majority of Angolans, shattered human relations and destroyed crucial infrastructures built before November 11, 1975.

46 years ago, when António Agostinho Neto proclaimed the Independence of Angola, Angolans had enormous expectations of building a country that would provide well-being for all. However, in the opinion of analyst for macroeconomic affairs, Galvão Branco, these expectations were frustrated by the war, which definitely ended in 2002.

During the conflict, he continued, many human resources, which could have contributed to development, left the country, causing a huge deficit in this aspect. He also added that after Independence and the adoption of an economic model centered on the State, Angola decided to make its first economic reform in 1987 by creating the Economic and Financial Structuring Program (SEF), which aimed at adopting a market economy model, greater openness to private initiative and other actions that would favor the mobilization of financial resources, national and foreign investment, and macroeconomic stabilization.

In the same line of thought, economist Marlino Daniel Sambongue affirmed that between 1975 and 1998 the Angolan economy presented an overall cycle of virtual stagnation, with the average annual growth rate of the Gross Domestic Product (GDP) hovering around 1%. Despite the oil production having increased from 50 000 to 739 000 barrels/day, the average barrel export price in the international market oscillated between USD 12.5 and USD 35.

As he recalls, as a way of giving credibility to the process of implementing the SEF, Angola applied to the International Monetary Fund (IMF) in August 1987, and was admitted to that institution in September 1989. But it was only in July 1995 that the first monitored program was agreed with the IMF without any financial disbursement.

Read the entire article in the November issue, now available on the E&M app for Android and on login (appeconomiaemercado.com).

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