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Sonangol apresenta Programa de Regeneração

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino, pretende retirar a sua participação no capital Unitel, empresa participada pela empresária Isabel dos Santos.

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Cláudio Gomes
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Cláudio Gomes

A informação foi revelada, esta semana, numa conferência onde se fez a apresentação do Programa de Regeneração da Sonangol, que a partir de agora a passa a concentrar-se nas actividades nucleares, o que a obrigou a incluiu a desistência das participações detidas nos sectores que não integram o seu core business como são os casos das telecomunicações, banca e prestação da serviços à indústria petrolífera.

De acordo com o Jornal de Angola, o PCA da petrolífera apontou as participações na MSTelcom, nos bancos Caixa Angola, Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Económico e o de Comércio e Indústria (BCI).

Continuando, Carlos Saturnino apontou ainda as participações detidas no Estaleiros Navais (Paenal), situado no município de Porto Amboim, província do Cuanza Sul, Sonamet (de prestação de serviços de fabricação de estruturas metálicas para suporte à indústria petrolífera) e a Sonils (base logística de apoio às operações do sector petrolífero).

Prosseguindo, incluiu na lista a Petromar (empresa de instalação de plataformas e estruturas submarinas) e a Angoflex (de construção de umbilicais e produtos associados para a indústria de petróleo e gás), num processo que inclui fusões e passagem do capital.

O gestor, disse na ocasião, que o grupo vai promover uma discussão com a banca e avaliar, em cada caso, os níveis de rentabilidade e os benefícios obtidos pela Sonangol. Justificou as privatizações e fusões das subsidiárias com o facto de muitas destas representarem baixos rendimentos.

“Temos um grupo deempresas a competir com pouco trabalho e devemos promover um movimento deconsolidação e análise para construir uma indústria forte”, disse.

De acordo com o Saturnino, as subsidiárias que permanecerem sob o controle do grupo passaram a contar com conselhos de administração e orçamento próprios, no quadro de uma descentralização prevendo deixar de interferir na sua gestão.

O dirigente considerou o Programa de Regeneração como um projecto estruturante que vai preparar a empresa para o futuro, reforçando o papel do grupo no continente africano, com base na observação dos padrões internacionais, visando contribuir para o desenvolvimento económico do país. 

“A sobrevivência da Sonangol obriga a restruturações, porque temos participações completamente díspares em várias concessões. Desde 2016, a Sonangol deixou de cumprir as suas obrigações financeiras em vários blocos”, adiantou. 

Contudo, Carlos Saturnino lembrou que a companhia acumulou uma dívida no projecto Ka-ombo, no bloco 32,no valor de mil milhões de dólares, embora tenha adquirido a participação por apenas 16 milhões de dólares.

“A Sonangol tem o mesmo problema em muitas concessões petrolíferas e queremos reduzir as percentagens de participações que variam entre os 10 a 70 por cento ou mais nos vários blocos em produção”, referiu. 

Com efeito, a Sonangol vai aplicar 40 milhões de euros para concretizar o plano de reestruturação durante um período de 30 meses, em que decorre a privatização de 19 subsidiárias, empresas participadas e a venda de algumas concessões petrolíferas, declarou Carlos Saturnino. 

“Entre 2020 a 2021, a Sonangol vai ser diferente, com uma estrutura mais pequena e mais ágil, com actividades e poder descentralizado mais veloz em termos de tomada de decisão”, previu o presidente da petrolífera, acrescentando que a companhia “não vai ser o que foi no passado”.

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