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Subdesenvolvimento é um barril de pólvora

Os tumultos de Cafunfo, Lunda Norte, cujo número de mortes e desaparecidos continua por se esclarecer, fizeram lembrar a situação de pobreza e subdesenvolvimento desta província.

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Arquivo

A Lunda Norte é a terceira província com o maior índice de pobreza multidimensional (0,393), a seguir ao Cunene (0,405) e ao Bié (0,400), de acordo com o Índice de Pobreza Multidimensional de Angola, 2015-2016, apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em Julho do ano passado. Segundo o documento, a Lunda Norte faz parte do grupo de oito províncias que apresentam níveis muito altos de pobreza em comparação com Luanda (0,094) ou Cabinda (0,153), sendo que as mesmas respondem por 38% dos municípios mais pobres do país (46 dos 164 municípios).

Essa situação contrasta com a contribuição da província no PIB, por via do sector diamantífero, cujo início das actividades remonta aos anos 1912 e 1917, altura em que foram descobertas as primeiras sete pedras no rio Tchiumbwe, a Nordeste do município de Cambulo. Actualmente, o país assume o quarto lugar entre os maiores produtores, e o quinto em termos de valores, apesar de, em 2020, ter-se registado uma quebra da produção, que ficou em quase oito milhões de quilates. Mas, os ganhos dessa actividade tardam a reflectir-se na melhoria das condições de vida das populações, como o confirma o estudo do INE, que atribui uma incidência de pobreza de 70% na província, o que significa que pelo menos 7 em cada 10 pessoas são multidimensionalmente pobres.

Preocupados com a actual situação socioeconómica da província, os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) criticam o “elevado nível de pobreza, fome, desemprego, perda do poder de compra e encerramento de muitas empresas” por isso apelam às autoridades angolanas para elaborarem um plano de contingência.

Em comunicado divulgado no início de Março, a CEAST manifestou apoio e solidariedade aos bispos da província eclesiástica de Saurimo, que congrega as dioceses do Leste de Angola, que “condenaram e deploraram os actos de violência” que “resultaram em mortes e violações clamorosas e incompreensíveis dos direitos humanos na vila de Cafunfo”. No documento, lê-se que “os bispos apelam para que, a bem da harmonia e do convívio plural entre todos, seja apurada a verdade material dos factos e sejam responsabilizados os que agiram contra a lei de um e de outro lado”. Os líderes católicos mostram-se, igualmente, preocupados com o “elevado tom dos discursos políticos que ameaçam desmoronar a estabilidade nacional.

Leia o artigo completo na edição de Março, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Underdevelopment is a powder keg

The riots at the end of January in Cafunfo, Lunda Norte, whose number of deaths and missing persons remains unclear, reminded us all the situation of poverty and underdevelopment of one of the provinces that most contributes to the national GDP.

Lunda Norte is the third province with the highest multidimensional poverty rate (0.393), after Cunene (0.405) and Bié (0.400), according to the 2015-2016 Multidimensional Poverty Rate of Angola, presented by the National Institute of Statistics (INE) in July last year. According to the document, Lunda Norte is part of a group of eight provinces that have extremely high levels of poverty compared to Luanda (0.094) or Cabinda (0.153), and they account for 38% of the poorest municipalities in the country (46 out of 164 municipalities).

This situation contrasts with the province's contribution to the GDP, through the diamond sector. The beginning of the activities in the sector dates back to the years 1912 and 1917, when the first seven stones were discovered in the Tchiumbwe River, northeast part of Cambulo municipality. Currently, the country ranks fourth among the largest producers and ranks fifth in terms of values, even though in 2020 the production dropped to almost eight million carats. However, the gains of this activity are slow to reflect in the improvement of the living conditions of the local populations, as confirmed by the INE study, which points out a poverty rate of 70% in the province – it means that at least 7 out of 10 people are multidimensionally poor.

Concerned with the current socio-economic situation in the province, the bishops of the Episcopal Conference of Angola and São Tomé (CEAST) criticize the “high level of poverty, hunger, unemployment, loss of purchasing power and the closure of many companies” so they call on the Angolan authorities to develop a Contingency Plan.

In a statement released in early March, CEAST expressed its support and solidarity to the bishops of the ecclesiastical region of Saurimo, which brings together the dioceses of the Eastern Angola; they “condemned and deplored the acts of violence” that “resulted in deaths and appalling and incomprehensible violations of the human rights in the village of Cafunfo”. The document reads that "for the sake of unity and coexistence among all, the bishops call for the facts to be established and that those who acted against the law on both sides be held accountable. The catholic leaders are also concerned with the “high tone of the political discourses threatening to break the national stability.”

Read the full article in the March issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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