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Um passo para frente outro para trás

Faz tempo que um titular do Ministério dos Transportes e Comunicações, numa sentada, exarou despachos ‘varrendo’ a maioria dos membros da direcção da TAAG.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Para conferir maior força ao seu acto, promoveu uma cerimónia de despromoção, juntou numa sala os visados, pedindo que cada um deles, à medida que fosse chamado, desse um passo para frente e ditou-lhes, frontalmente, as razões subjacentes a cada exoneração.

Variavam os casos. Conhecidas as razões, o despromovido dava um passo à rectaguarda, conferindo a vez ao próximo visado. Entre os despromovidos, encontrava-se Pimentel Araújo, digno quadro da companhia aérea, falecido a 23 de Março último, aos 71 anos. A razão apresentada era de que estava impossibilitado de exercer o cargo por ser estrangeiro. Com a peculiar frontalidade que lhe conhecemos, Pimentel, já com o passo dado em frente, pediu a palavra e exibiu o seu bilhete de identidade angolano, referindo que não tinha outro. Era angolano, ponto final! O ministro, sem se desmanchar, olhou-o nos olhos e vaticinou: “Dr. Pimentel, então se é angolano, dê um passo para atrás. Está readmitido nas suas funções!”

Foi este mesmo Pimentel Araújo que esteve anos impedido de sair do país por uma acusação anónima e ardilosa de alguém que ainda hoje vive. O mesmo homem que um grupo de gente, com responsabilidades no país, decidiu exonerar e impedir de entrar na TAAG - na altura era o presidente do Conselho de Administração - pelo facto de se ter recusado a assinar o memorando que entregava a gestão da empresa à Emirates, o gigante do Dubai.

Mas, pouco tempo depois, confirmou-se que a TAAG não era uma diversão para a Emirates e rapidamente aquele gigante mundial da aviação fez contas à vida e virou-nos as costas. Não nos enquadrávamos no seu modelo de gestão.

A história de Pimentel, que homenageio como amigo, colega de empresa, Homem íntegro, estudioso e muitas vezes de enorme teimosia, remete-me para outros exemplos que infelizmente acompanhei. Vamos tendo cada vez menos homens de que tanto precisávamos e precisamos. Com espinha dorsal. Verticais e competentes. Líderes. Continuamos a dar passos para frente e outros, muitos infelizmente, para atrás. O de Pimentel, na cerimónia a que me referi neste apontamento, foi dos poucos, à rectaguarda, que vi como bem dado.

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Last Word Back and forth

It has been a while since a Cabinet Member in charge of the Ministry of Transport and Communications, in one single shot, signed orders demoting most of the TAAG Board Members. To give a greater strength to this action, he organized a demotion ceremony in a room with the members who were the target of the action. Once there, they were called one by one to step forward and told, right in their face, the reasons why they were being demoted.

The reasons were not all the same. After knowing them, the demoted person would step backward and so leaving space for the next one.  Pimentel Araújo was amongst the demoted ones - a highly qualified staff of the airline company who passed away last month, March 23, at the age of 71. The reason given was that Pimentel could not hold that office because he was a foreigner. Pimentel, a known outspoken person, had already stepped forward, asked for the floor, and showed his Angolan ID, saying he did not have any other ID except the Angolan one. He was Angolan, period! The minister, without losing his posture, stared at him and said: “Dr. Pimentel, if you are Angolan, then step back. You're reinstated in your post!”

We are talking about the very same Pimentel Aráujo who was not allowed to leave the country for years. He was anonymously and cunningly accused by someone who he is still alive.  This is the man that a higher-ranking group of people in this country decided to demote from his CEO position and blocked him from accessing TAAG facilities, because he had refused to sign the memorandum transferring the company's management responsibilities to Emirates, the Dubai giant. However, it did not take long for Emirates to realize that TAAG was not a funny game.

So, without wasting more time, the global aviation giant closed its accounts with us and turned its back. We did not fit into its business model.

Pimentel’s history (who I hereby pay homage to as a friend, a colleague, a man of integrity, a scholar and most of the time a highly stubborn person) reminds me of many other cases I have unfortunately witnessed first-hand. We have less and less men we so much needed and still need. Brave. Honest and Competent. True leaders. We keep moving forward and, unfortunately, most of the time, backwards.  Pimentel’s history at the ceremony I referred to above is one of the fewest steps given backwards that I reckon to be positive.

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