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Unitel quer acelerar a digitalização em Angola subsidiando compra de smartphones

Cláudio Gomes
8/12/2022
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Foto:
Carlos Aguiar

A maior empresa de telefonia móvel do país, com uma quota de 78% no mercado de telecomunicações móveis, quer acelerar o acesso à digitalização subsidiando 30% do valor da compra de smartphones.

Em entrevista à Economia & Mercado, o director-geral da Unitel disse que a empresa aguarda a colaboração do Executivo que para o efeito deverá isentar a cobrança do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA) e de Imposto de Importação como contrapartida.

De acordo com o gestor, a subvenção permitirá o acesso massivo aos smartphones por grande parte da população, sobretudo jovens, o que no seu entender, facilitará a utilização de serviços digitais.

“Queremos uma conjugação de esforços entre os dois aspectos. Acreditamos que em 2024 vamos começar a fazer esta acção de forma massiva e é este o nosso grande contributo para a questão da digitalização”, garantiu, defendendo uma digitalização integral.

Temos estado em ligação com o Governo no sentido de primeiro ser banida a comercialização da telefones 2G, afirmou Miguel Geraldes, justificando que apesar de estes serem “muito baratos”, não permitem o acesso efectivo e integral a digitalização disponível nas aplicações móveis.

“Um utilizador pode ter um telefone hipoteticamente mais barato e com o acesso à Internet, mas não ter como instalar aplicações. Portanto, não pode usar a sua aplicação bancária ou de mobili money ou outra aplicação. Ou seja, caso um telefone não permita que o sistema operativo instale aplicações, não qualificamos como um smartphone”, explicou.

Outro aspecto é o tamanho do ecrã, rebateu. “Um telefone com ecrã excessivamente pequeno não permite a utilização da Internet de forma correcta, porque o ecrã não permite ver um vídeo, não consegue ler todos os conteúdos. (…) tem de ter uma câmera capaz de identificar a pessoa decentemente. Não estamos a falar de um smartphone normal, estamos a falar de um smartphone que tem características que permitem uma inclusão digital”, detalhou Miguel Geraldes, reforçando que se trata de um smartphone que permite o acesso à várias soluções, tendo um sistema operativo que permita instalar vários aplicativos dentro do telefone.

Defendeu, neste sentido, que o telefone 4G é o ideal para acelerar o processo de digitalização, embora reconheça que também é “mais caro” que o telefone 2G, razão pela qual, a Unitel está pretende facilitar o acesso aos smartphones, esperando, em contrapartida, a colaboração do Governo no que a isenção nos IVA e de Importação diz respeito. “Queremos ter a colaboração do Governo no sentido de os impostos que são cobrados, nomeadamente o IVA e o Imposto de Importação, sejam isentos para que o acesso seja efectivo”, vincou.

Fizemos bem as contas e é preciso clarificar o que levantamos na conferência e eu disse que um smartphone em Angola custa 4G. Tenho que clarificar que smartphone é que estamos a falar. São aqueles smartphones que permitem a migração para a digitalização.

A Unitel é uma empresa 100% angolana de longe a líder no mercado de telecomunicações móveis com uma quota de mercado de 78%, embora tenha registado um decréscimo de 12 pontos percentuais (p.p), no período anterior, comparando com a quota de mercado de 90% que ostentava até fins de 2021. Tem cerca de 11 milhões de clientes.