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A estranha forma de governar

Ladislau Neves Francisco
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Desde discursos que parecem de pessoas que não vivem no mesmo país que todos vivemos, a inércia inadmissível para quem governa, o Executivo de João Lourenço tem estado a deixar a desejar.

De algum tempo para cá, João Lourenço e o seu Executivo têm vindo a dar sinais de claro distanciamento das massas. Desde discursos que parecem de pessoas que não vivem no mesmo país que todos vivemos, a inercia inadmissível para quem governa e, portanto, tem nas mãos os destinos de mais 32 milhões de pessoas.

Diga-se o que se quiser dizer, faça-se como se fizer, o objectivo de qualquer governo é garantir o bem-estar daqueles que governa. Para isso, não há curvas, não há teorias. As ideologias morrem. E no fim das contas o governo tem de conseguir garantir mais empregos, acesso ao ensino, mais saúde e mais comida na mesa. E João Lourenço tem feito exactamente o contrário. Justifique como quiser, fale em que língua conseguir, mas não está a conseguir garantir mais emprego. O que revela uma, no mínimo, estranha forma de governar.

Agora são os funcionários da Zap que vão para o desemprego. Não sabemos quais serão amanhã os funcionários a fazerem uma oração de despedida. Abriu assim 2022, mas já foi assim durante todo o ano de 2021: Greves, reivindicações e manifestações. Da saúde à educação, tudo falhou, todos reivindicaram.

Os tempos são difíceis, todos sabemos, mas convenhamos que essa estranha forma de governar ajuda a dificultar ainda mais. Nem mesmo o combate à corrupção justifica destruir empresas que garantem empregos estáveis, seguros e que bem remuneram.

Falhar no dever de garantir aquilo que é o fim máximo da governação e depois atirar as culpas da materialização da frustração dos governados à oposição como se fez recentemente com a manifestação dos taxistas é mais que fraqueza, é cobardia.