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A felicidade como uma estratégia de negócio. É possível?

Uma estratégia de felicidade no trabalho começa muito antes do dia de admissão de um Colaborador.

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A conjuntura altamente instável e imprevisível vivenciada ao longo do ano 2020 obrigou as organizações a transformarem a sua maneira de trabalhar para conseguirem permanecer competitivas no mercado e assim sobreviverem.

A grande maioria dos gestores focou-se sobretudo na implementação de novas tecnologias, modelos de negócio inovadores e em formas mais rápidas e eficientes de servir os Clientes. No entanto, ao colocar os clientes no centro da sua estratégia, na maior parte das vezes, os líderes esqueceram-se de trabalhar a experiência dos seus Colaboradores.

Como podemos esperar amor de um Cliente senão amarmos os nossos Colaboradores em primeiro lugar? No final do dia, Clientes e Colaboradores são Pessoas.

Dizer que “Colaboradores Felizes são mais produtivos” há muito tempo que deixou de estar no campo da subjectividade. Um estudo desenvolvido pela Universidade de Warwick em 2018 concluiu que a felicidade aumenta em média 12% o nível de produtividade dos Colaboradores.

Adicionalmente, uma pesquisa do MIT mostrou que as empresas com uma experiência de Colaborador bem-sucedida alcançam o dobro da inovação, o dobro da satisfação do cliente e lucros 25% mais altos do que as organizações com uma estratégia unicamente focada no produto e nas vendas.

Durante muito anos acreditou-se que para liderar a estratégia de um negócio era necessário a dureza, a frieza, o calculismo e a racionalidade de um jogador de xadrez. Hoje, as novas gerações de jovens profissionais procuram humanismo e empatia nas empresas e querem reconhecer-se nos seus líderes.

Como podem então as empresas desenvolver uma experiência de Colaborador assente na Felicidade?

1. Uma estratégia de felicidade no trabalho começa muito antes do dia de admissão de um Colaborador. Para além de querer atrair hard skills, devem-se atrair Pessoas que se identifiquem com a cultura de trabalho da empresa. Periodicamente, é também importante reavaliar esse ajustamento, isto é, deve-se conversar com os Colaboradores sobre os seus objectivos e ambições presentes.

2. Dizer não à Microgestão. O empoderamento das equipas aumenta o comprometimento e a confiança na relação entre o colaborador e o empregador.

3. Promover uma cultura com um forte pilar na gratidão faz com que as equipas se sintam valorizadas e estimula um fluxo de transmissão de emoções positivas no local de trabalho. Às vezes, um simples agradecimento sincero pode ter um enorme impacto.

4. É extremamente necessário que se trabalhe dois aspectos que trazem sentido e significado para os Colaboradores: os resultados e as relações. Deve-se garantir que os colaboradores estejam envolvidos em projectos que os motivem e os desafiem, mas sobretudo que estejam dentro das suas capacidades. O líder deve esclarecer a importância do papel do Colaborador, para que no final do dia este sinta que contribui para um bem-comum.

5. Respeitar a necessidade de querer ser respeitado. Sentir que somos tratados com igualdade e respeito no trabalho é o um dos mais importantes ingredientes para a nossa felicidade profissional.

6. Criar uma cultura de trabalho positiva. A gestão deve fomentar a existência de oportunidades para que os Colaboradores criem e fortaleçam laços entre si (entre colegas e entre departamentos e direcções).

Durante muito anos acreditou-se que para liderar a estratégia de um negócio era necessário a dureza, a frieza, o calculismo e a racionalidade de um jogador de xadrez. Hoje, as novas gerações de jovens profissionais procuram humanismo e empatia nas empresas e querem reconhecer-se nos seus líderes.

O Instituto de Emprego e Empregabilidade (Employment and Employability Institute) afirma que o que deixa os Millennials felizes é a oportunidade de aprender e crescer (90.6%), o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (75%), salário e benefícios (59,4%) e os valores e a cultura da empresa (53,1%).

O ano de 2020 mostrou-nos que os modelos e estratégias actuais podem rapidamente tornar-se obsoletos e que as estruturas organizacionais têm que ser altamente flexíveis para conseguir lidar com a instabilidade constante.

A garantia da manutenção do bem-estar das Pessoas é a chave principal para conseguir manter a coesão e o comprometimento em momentos de crise constante. Então, de que é que estamos à espera para tornar a Felicidade numa estratégia de negócios?

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