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A montanha pariu um rato

Quatro anos após a sua eleição, suportada por promessas eleitorais, o discurso do Estado da Nação deveria ser, no mínimo, aproveitado para redefinição de metas para os próximos 12 meses.

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Sebastião Vemba
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Sebastião Vemba

Se concordarmos que o discurso sobre o Estado da Nação deve ser, acima de tudo, um discurso à Nação, ou seja, uma oportunidade de o Presidente da República comunicar com os angolanos, ao contrário de apresentar “lamentações” ou recapitular as já desactualizadas notícias sobre os efeitos da Covid-19 na economia e na vida das famílias, a intervenção do PR passou ao lado desse objectivo, na medida em que se perdeu numa imensidão de assuntos e feitos do seu Executivo sem elucidar,  entretanto, o real impacto dos mesmos nas condições de vida das populações.

Entretanto, bem no início do discurso, João Lourenço afirmou que o seu Governo está a trabalhar “para aprofundar a democracia e o Estado de direito em Angola e a estabelecer as bases para a existência no nosso país de uma economia de mercado dinâmica, eficiente e inclusiva, como pilares para a prosperidade e o bem-estar do povo angolano”. Essa afirmação tem apenas meia-verdade e risca, inclusive, os limites da falácia. Ao mesmo tempo que se observa uma maior pressão sobre os meios de comunicação privados “não alinhados” ao regime – inclusive o encerramento de canais televisivos -, regista-se uma maior instrumentalização dos órgãos públicos, ao contrário do que ficou sinalizado no início da actual governação. Mas vale também lembrar que, segundo o Índice de Democracia de 2020, elaborado pelo The Economist, Angola piorou a sua pontuação de 3.72 para 3.66, embora tenha passado da posição 119 para a 117. E até que ponto se criou, nos últimos quatro anos, mais prosperidade e bem-estar para os angolanos? Os dados mostram que, infelizmente, ainda 53% da população está em situação de pobreza multidimensional, com a fome a invadir milhares de lares e a empurrar para a mendicidade milhões de cidadãos. Claramente, a montanha pariu um rato…

Leia o artigo completo na edição de Novembro, jádisponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

The mountain gave birth to a mouse

Four years after his election, supported by electoral promises ranging from the transformation of province capitals into attractive tourist cities to the fight against hunger, poverty and corruption, as well as promoting employment - particularly for the younger population - the State of the Nation speech should at least be used to redefine goals for the next twelve months, considering that most of João Lourenço’s promises were (or are) unfulfilled. And there is not much time left to execute them.

If we agree that the State of the Nation speech should be, above all, a speech to the Nation, that is, an opportunity for the President of the Republic to communicate with Angolans, as opposed to presenting “regrets” or repeating already outdated news about the effects of Covid-19 on the economy and the lives of families, the speech of the PR failed to meet this objective, to the extent that he got lost in a plethora of issues and achievements of his Executive without elucidating, however, their real impact on the living conditions of the population.

However, right at the beginning of his speech, João Lourenço stated that his government is working “to deepen democracy and the rule of law in Angola and to establish the bases for the existence, in our country, of a dynamic, efficient and inclusive market economy, as pillars for the prosperity and well-being of the Angolan people”. This statement is a half-truth and is even borderline fallacy. At the same time that we observe greater pressure on the private media “non-aligned” with the regime - including the closure of television channels - there is a greater instrumentalization of public agencies, contrary to what was signaled at the beginning of the current government. But it is also worth remembering that, according to the 2020 Democracy Index prepared by The Economist, Angola’s score worsened from 3.72 to 3.66, although it moved from position 119 to 117. And to what extent has more prosperity and well-being been created for Angolans in the last four years? The data show that, unfortunately, 53% of the population is still in multidimensional poverty, with hunger invading thousands of homes and pushing millions of citizens into begging.

Clearly, the mountain has given birth to a mouse...

Read the entire article in the November issue, nowavailable on the E&M app for Android and on login(appeconomiaemercado.com).

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