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A velha falácia da diversificação

A pandemia da Covid-19 impediu o INE de dar início, há já alguns meses, ao Recenseamento
Agro-Pecuário e Pescas (RAPP), tido como “uma operação de alta
relevância par a o país”.

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Sebastião Vemba
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Sebastião Vemba

Entre outros benefícios, em nossa 
opinião, o RAPP ajudará a combater a velha falácia da diversificação da economia angolana.
 Conforme tem sido defendido por vários especialistas em dossiers desenvolvidos pela E&M e outros órgãos
de comunicação social e instituições de investigação científicas com destaque para o Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, ao contrário de uma efectiva diversificação da economia, nos últimos anos, o país tem registado uma diminuição contínua do peso do sector petrolífero no Produto Interno Bruto (PIB), devido à baixa do preço desta comodity no mercado internacional, sem que, entretanto, o sector não-petrolífero ganhe mais fôlego, de modo a que funcione como o contrapeso da balança.

Acresça-se que, apesar de boas intenções, a prática tem demonstrado uma ausência de visão ampla do real potencial do país, que transponha, por um lado, o simples discurso nostálgico ancorado no desempenho do sector produtivo antes da Independência nacional e, por outro, o boom económico depois da guerra civil que não foi devidamente aproveitado para construir os alicerces para a diversificação da economia. Mas a actual liderança do país prometeu, há três anos, fazer diferente, conforme o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022: “Reconhecendo a importância da diversificação para a estratégia de desenvolvimento económico do país, este Executivo apostará no fomento de actividades orientadas para a produção de bens que satisfaçam necessidades básicas da população, utilizem tecnologias e mão-de-obra intensivas e geradoras de empregos, viabilizem a valorização de recursos naturais endógenos e dinamizem as cadeias de fornecimento nacionais. Esta estratégia permitirá potenciar as vantagens competitivas de Angola, levando a produção nacional a conquistar progressivamente quotas crescentes no mercado interno promovendo a substituição de importações e contribuições para a diversificação da estruturada economia e das exportações e, ainda, para a redução do défice da balança comercial de Angola”.

Mas já não resta muito tempo para 2022 e, diante do actual contexto socioeconómico do país, que se deteriorou ainda mais devido à pandemia da Covid-19, com impacto negativo na produção
e cadeia de distribuição de bens alimentares, será necessário redefinir as metas.

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