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Altos índices de abuso sexual num país com deficiente educação dos jovens

Em Angola, a juventude representa 30% da população actual e os conhecimentos sobre a transmissão do VIH ainda são baixos.

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Andrade Lino
Andrade Lino

Sabe-se, por exemplo, que apenas 32% de homens e mulheres entre os 15 e os 24 anos têm conhecimento abrangente sobre
a prevenção do vírus.

Cerca de 43% das mulheres entre os 15 e os 19 anos, que queiram escapar a uma gravidez, não têm acesso a métodos contraceptivos modernos, e apenas 14% das mulheres em idade fértil utilizam tais métodos. É o que informa um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, em inglês) sobre saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens.

O documento, a que a Economia & Mercado teve acesso, ressalta que em cada 1.000 meninas angolanas entre os 15 e os 19 anos, 163 já têm uma criança, um número que resulta na segunda maior taxa de fecundidade nas adolescentes da região da África Subsaariana.

Em parceria com o Ministério da Juventude e Desportos, o UNFPA promoveu, de 11 a 13 de Setembro, o 1º Seminário Metodológico sobre Sexualidade e Promoção da Saúde Sexual e Reprodutiva de Adolescentes e Jovens, destinado a capacitar jovens educadores para que se tornem multiplicadores de conteúdos e temas relacionados com a sexualidade e promoção da saúde sexual e reprodutiva, bem como ajudar outros adolescentes e jovens a adquirir conhecimentos e atitudes necessárias para tomar decisões saudáveis.

Durante três dias, a acção formativa baseou-se num guia elaborado especialmente para os jovens dos países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que actuam como educadores em plataformas e associações juvenis. De acordo com a ministrante da formação, Maria Adrião, as discussões sobre saúde sexual e reprodutiva em Angola acabam por se basear em questões socioculturais. E acredita que um dos desafios, principalmente na questão da gravidez precoce, é desconstruir o conceito de que quando se nasce mulher é para ser-se mãe, sendo que neste ponto “também se viola um direito reprodutivo”.

Leia mais na edição de Novembro de 2019

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