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Atrair investimento afastando investidores

Deslandes Monteiro
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Foto:
Carlos Aguiar

Antes de mais, é necessário fazer duas premissas importantes:

1. A saúde pública, neste momento, seja a nível nacional, seja internacional, é prioridade indiscutível. Os governos têm sido chamados a adoptar políticas transversais para fazer frente aos desafios apresentados pela pandemia, desafios esses que, muitas vezes, contrastam com a necessidade de se promover o desenvolvimento económico e social, objectivo primário de qualquer autoridade política.

2. Angola precisa, desesperadamente, de investimento estrangeiro. Só a entrada de capital novo, fresco, juntamente com o aumento da produção nacional, poderá relançar a economia nacional. A entrada de divisas com finalidade de investimento poderá ser útil nas mais variadas vertentes, desde o fortalecimento do Kwanza ao aumento da oferta de emprego.

Esta necessidade de relançar a economia e evitar tensões sociais tem levado vários Estados a aliviar as medidas de confinamento e as restrições às viagens internacionais, seja em saída como em entrada, facilitando, assim, o comércio internacional e a entrada de turistas e investidores estrangeiros.

No nosso país, porém, a necessidade de salvaguardar a saúde pública, quase dois anos após o surto da pandemia, ainda tem suplantado consideravelmente a necessidade de reerguer a economia, não obstante o notável agravamento das condições económico-sociais, em contraste com a maior parte dos países, que foram bem mais afectados pela pandemia, mas que já se encontram abertos para turistas e negócios.

A recente medida, presente no decreto-executivo-conjunto dos ministérios das Finanças, da Saúde e dos Transportes, que prevê a obrigatoriedade do pagamento de 31.850 Kz para os testes obrigatórios pós-desembarque de SARS-CoV-2, a serem acrescentados ao valor do bilhete de passagem, demonstra mais uma vez a sensação há muito reclamada pelos interessados a fazer negócios no nosso país: Angola quer o investimento, mas não quer a presença dos investidores. A actividade de investimento está associada, inevitavelmente, à componente humana. Por regra, não se investe num país que não se conhece, com o qual não se tem um tipo de relação profissional ou até emotiva, no qual o investidor não se sente bem-vindo e que lhe apresenta custos bem mais elevados comparativamente aos países “concorrentes”.

Leia o artigo completo na edição de Novembro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Attracting investment by driving away investors

First of all, two important premises need to be made:

Right now, public health is an indisputable priority, both nationally and internationally. Governments have been called upon to adopt transversal policies to address the challenges presented by the pandemic, challenges that often go against the need to promote economic and social development, the primary objective of any political authority.

Angola desperately needs foreign investment. Only the inflow of new, fresh capital, combined with increased domestic production, can revive the national economy. The inflow of foreign currency as investment can be useful in a variety of ways, from strengthening the Kwanza to increasing employment.

This need to relaunch the economy and avoid social tensions has led several states to ease the confinement measures and restrictions on outbound or inbound international travel to facilitate international trade and the entry of tourists and foreign investors.

In our country, however, the need to safeguard public health, almost two years after the outbreak of the pandemic, still considerably supplants the need to rebuild the economy, despite the visible worsening of socio-economic conditions when most countries, which were much more affected by the pandemic, are already open for tourists and business.

The recent measure, presented in the joint executive decree of Ministries of Finance, Health and Transport, stipulating the compulsory payment of 31,850 Kwanzas for the mandatory post-disembarking SARS-CoV-2 tests to be added to the value of the ticket, shows, once again, the feeling long claimed by those interested in doing business in our country: Angola wants investment, but does not want the presence of investors.

Investment is inevitably associated to human relations. As a rule, one does not invest in a country one does not know, with which one does not have a professional or even emotional relationship, in which the investor does not feel welcomed and which presents with much higher costs when compared to “competing” countries.

Read the entire article in the November issue, now available on the E&M app for Android and on login (appeconomiaemercado.com).