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Cabul e Tóquio: o certo e o errado de duas ocupações

O Japão e o Afeganistão foram ocupados por forças estrangeiras em contextos diferentes, mas com origens quase semelhantes. Foi em resultado de ataques feitos a interesses norte-americanos.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Primeiro, o ataque a Pearl Harbor, no Havai, a 7 de Dezembro, pelo Serviço Aéreo Imperial da Marinha Japonesa à principal esquadra naval norte-americana ali estacionada, o que levou à entrada dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. E no segundo, o ataque com aviões civis às torres gémeas do World Trade Center e Pentágono, a 11 de Setembro de 2001, tripulados por comandos suicidas de origem saudita e egípcia, que resultou num total de 2996 mortos civis.

O Japão teve sete anos de ocupação militar norte-americana. Já no Afeganistão, a permanência de tropas americanas foi de 20 anos. O que diferenciou estas ocupações e como terminaram?

No caso do Japão, foi determinante para “sossegar” todos os japoneses o facto de os americanos terem garantido a permanência no poder do Imperador Hiroito, o símbolo divino do país, desresponsabilizando-o dos crimes de guerra ainda que limitando em parte, na nova constituição, os seus poderes. Impediu-se assim, inteligentemente, a resistência à ocupação de um país pouco dado a invasores. Aliada à percepção e ao respeito pela História e Cultura do Japão, houve um forte investimento financeiro na recuperação económica do país, propiciando a sua reconstrução e a edificação de instituições políticas e económicas inclusivas que aceleraram a economia, o emprego, a reforma do sistema de ensino e da saúde. Essa operação gigantesca respeitou o Japão milenar, não ofendendo a sua estrutura social, cultural e religiosa. Deu certo!

Leia o artigo completo na edição de Outubro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Kabul and Tokyo: the right and wrong of two occupations

Japan and Afghanistan were occupied by foreign forces in different contexts, but with almost similar origins: as a result of attacks on American interests.

First, the attack on Pearl Harbor, Hawaii, on December 7, 1941, by the Imperial Japanese Navy Air Service on the main US naval squadron stationed there, which led to the entry of the United States of America into World War II. And the second, the attack by civilian aircraft on the twin towers of the World Trade Center and Pentagon on September 11, 2001, manned by suicide commandos of Saudi and Egyptian origin that resulted in a total of 2996 civilian deaths.

Japan had seven years of US military occupation. In Afghanistan, American troops stayed for 20 years. What differentiated these occupations and how did they end?

In the case of Japan, the fact that the Americans guaranteed that Emperor Hirohito, the country’s divine symbol, would remain in power, removing his responsibility for war crimes, even though the new constitution partially limited his powers, was a determining factor in “reassuring” all Japanese people. This intelligently prevented resistance to the occupation of a country not much given to invaders. Allied to the perception and respect for Japan’s History and Culture, there was a strong financial investment in the country’s economic recovery, stimulating its reconstruction and the building of inclusive political and economic institutions that accelerated the economy, employment, and the reform of the education and health systems. This gigantic operation respected the millenary Japan and did not offend its social, cultural and religious structure. It worked!

In Afghanistan, the Americans have spent more than USD 3 billion in military operations. They replaced the Taliban in 2001 by the barely credible Northern Alliance forces, which soon turned Kabul into a den of corruption and misgovernment. The country’s very specific religious foundations, based on a hard, orthodox view of Islam, were ignored and treated with very little diplomacy. The occupation was essentially military. One of the reasons lies in the different historical vision of the American leadership.

Read the full article in the October issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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