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Calaram-se as armas, mas a guerra continua e o inimigo agora é outro

Quingila Hebo
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Foto:
DR

Considerando as desigualdades, Angola perderia 3 posições no IDH e cerca de 31,7% do desenvolvimento humano.

O gráfico abaixo mostra o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Angola nos últimos 17 anos. Não encontrei dados de uma fonte credível sobre o IDH de Angola referente a 2020 e 2021, mas, atendendo aos estragos provocados pela Covid-19 em 2020, estou quase certo que o cenário não tenha alterado muito. O IDH mede o progresso de uma nação a partir de três dimensões: RENDA, SAÚDE e EDUCAÇÃO. Uma vida longa e saudável é medida pela expectativa de vida. O acesso ao conhecimento é medido pela média de anos de educação de adultos, que é o número médio de anos de educação recebida durante a vida por pessoas a partir de 25 anos e a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar, que é o número total de anos de escolaridade que uma criança na idade de começar a estudar espera receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idade permanecerem os mesmos durante a vida da criança. O padrão de vida é medido pela Renda Nacional Bruta por pessoa expressa em poder de paridade de compra constante, em dólar, tendo 2005 como ano de referência.

Bom, olhando para a margem esquerda do gráfico(ano e posição no ranking), verifica-se que desde o alcance da PAZ a nossa vida tem sido um verdadeiro vendaval, um anda-pára ou passos para frente e outros para atrás. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento diz, no Relatório de Desenvolvimento Humano 2020, que “as desigualdades travam o desenvolvimento humano de Angola. Considerando as desigualdades, Angola perderia 3 posições no IDH e cerca de 31,7% do desenvolvimento humano. Em Angola, o 1% da população mais rica  captou 15,2% do rendimento nacional”. Resumindo, calaram-se as armas, mas a guerra continua só que o inimigo agora é outro.