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Cervejeiras procuram adaptar-se para sobreviver à crise

A indústria cervejeira em Angola está a passar por dias de indefinição. As empresas procuram por um ponto de equilíbrio, entre despedimentos e realinhamento de estratégia comercial.

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José Zangui
Fotografia
:
Vasco Célio
José Zangui

“Dias Difíceis para o sector das bebidas”. É assim que o presidente da Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA), Manuel Vitoriano Sumbula, caracteriza a situação por que passam os seus associados. Depois de em 2018 ter registado, no geral, uma quebra de 25%, no ano passado, a indústria de bebidas decaiu 30%. Ou seja, em dois anos, registou-se uma quebra de 50% no volume de produção, o que provocou o despedimento de 5.000 trabalhadores, até final de 2019, de acordo ainda com as estatísticas da AIBA.

Manuel Vitoriano Sumbula receia que o sector possa entrar em falência com o encerramento de fábricas devido a factores como a desvalorização do kwanza

e o aumento de impostos que penalizam os produtores. Dados avançados pela AIBA apontam que, nos últimos quatro anos, pelo menos 24 fábricas de bebidas encerraram, com destaque para o subsector das águas. Apesar da insistência, a fonte não revelou nenhuma empresa específica que tenha sido afectada. Entretanto, recentemente, foi declarado o encerramento da unidade fabril da Nocal no Cazenga, em Luanda. Trezentos e dezanove trabalhadores foram para o desemprego.

O Grupo Castel, que entre várias marcas produz a Eka, Nocal, Dopel e a histórica cerveja Cuca, assegurou que a situação dos trabalhadores despedidos está a ser tratada de acordo com a lei. De igual modo, garantiu que o grupo mantém a liderança de vendas. Um alto responsável da empresa mostrou-se preocupado com o aperto fiscal e com a dificuldade de acesso às matérias-primas, tendo justificado que estas situações pesaram, de sobremaneira, na decisão e redimensionamento de algumas empresas, como é o caso da Nocal, cuja produção foi reduzida em cerca de 50% da capacidade instalada.

Nocal encerra fábrica

Em exclusivo à E&M, o director geral da Nocal, Julien Garin, revelou que o encerramento da fábrica de cerveja no Cazenga é um processo que foi gerido desde Agosto último e que teve de acontecer.

Desde 2018, a marca foi registando quedas progressivas no consumo, tendo-se agravado em 2019, situação que, segundo o gestor, não justificou a continuidade da produção naquela unidade fabril.

A unidade do Cazenga é uma das três que produzem a cerveja Nocal, com uma capacidade mensal de 100 mil hectolitros. Do total de 490 trabalhadores, 319, incluindo pessoal de direcção, vão “engrossar” a estatística de desemprego. Os restantes trabalhadores passarão, em breve, a fazer parte de uma nova empresa, a Nocal Distribuidora.

Julien Garin lamenta o comportamento que o mercado cervejeiro vem apresentando, em consequência da crise que reduziu o poder de compra dos clientes. “Após quatro meses a manter a unidade fabril, apesar do contexto de incerteza, a direcção da Nocal não vislumbrava uma melhoria da situação económica do país, que permitisse aceitar o risco de pros- seguir na estratégia de manutenção dos efectivos e de todos os custos inerentes à produção”, esclareceu, acrescentando que a direcção da empresa se sentiu obrigada a recorrer a medidas mais gravosas e inevitáveis.

Leia mais na edição de Março de 2020

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