3
1

Comércio informal: à beira do desespero e da indigência

Baixa de consumo, devido à perda do poder de compra, e agravada pela Covid-19, que limita o horário e os dias de funcionamento dos mercados, está a deixar muitas comerciantes à beira da falência.

1
2
Fotografia
:
Isidoro Suka

“A vida está difícil”. Foi essa a frase que mais ouvimos, numa ronda por vários mercados municipais, formais e informais de Luanda. Celestino Sapalo é “roboteiro”, transportador de mercadorias em carro-de-mão e há dois anos que vem sentindo, no mercado do Kikolo – que está em disputa entre as administrações de Cacuaco e do Cazenga -, onde trabalha, uma perda constante de clientes, sendo que há mesmo dias em que não transporta nenhuma carga. Como consequência imediata, esse homem, de 45 anos, foi abandonado pela esposa e pelo filho, há quatro meses, porque não conseguia mais atender às necessidades da família, nem pagar a renda de casa. Actualmente, vive sozinho numa casa de chapa que lhe custa mensalmente 1000 kwanzas. Quando o abordámos, sensivelmente ao meio-dia, tinha conseguido apenas 200 Kz.

Sebastião Bernardo, outro comerciante, afirmou que a Covid-19 veio “matar tudo”. Antes da pandemia, vendia calçados, mas o preço da mercadoria subiu e procura no mercado decaiu, ficando com produto por vender quase dois anos. “Era dinheiro empatado”, referiu. Para sobreviver, optou por vender “um pouco de tudo: ferro de engomar, rádios e mangueira para botijas de gás de butano”. Ou seja, viu-se forçado a diversificar o negócio para, no fim do dia, levar a casa em média 1500 Kz. Mas, o relato de Bernardo não difere da realidade da maioria dos comerciantes, como Aristóteles Salvador, 24 anos, que deixou de vender gás butano para fazer manicure e pedicure. Outros optam por negócios de baixo investimento, mas grande procura, com a venda de máscaras, álcool em gel ou ainda a lavagem de viaturas.

Apesar da taxa cobrada aos comerciantes do mercado do Kikolo, no valor de 250 Kz – sendo 100 cobrados informalmente em benefício de homens que garantem a segurança - o espaço está apinhado de lixo. O coordenador do mercado, Carlos Silva, reconheceu que a grande dificuldade tem sido a recolha de lixo, salientando ser um problema deixado pela anterior gestão.

A E&M soube que o mercado do Kicolo arrecada, diariamente, cerca de 800 mil Kz em taxas, razão pela qual os vendedores dizem não compreender o fraco saneamento básico no mercado.

Sabe-se, entretanto, que, dos valores arrecadados nos mercados, 80% vão para o tesouro municipal e 20% para a gestão interna dos espaços. Já o Mercado do KM30, segundo fontes da E&M, pode arrecadar, por dia, perto de 3 milhões Kz de taxa.

Leia o artigo completo na edição de Julho, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Informal trade: on the brink of desperation and destitution

Lower consumption, due to the loss of purchasing power, and aggravated by Covid-19, which limits the hours and days of operation of the markets, is leaving many traders on the verge of bankruptcy.

“Life is difficult". That was the sentence we heard most often on a tour of several municipal, formal, and informal markets in Luanda. Celestino Sapalo is a "roboteiro", a transporter of goods by handcart and for two years now he has been experiencing at the Kikolo market (which is in a dispute between the administrations of Cacuaco and Cazenga), where he works, a constant loss of customers, and there are even days when he does not carry any cargo.

As an immediate consequence, this 45-year old man was abandoned by his wife and son four months ago, because he could no longer meet the needs of the family, nor pay the rent. At present he lives alone in a tiny house that costs him 1,000 kwanzas a month. When we approached him, around midday, he had only managed to get 200 Kz. Sebastião Bernardo, another trader, said that Covid-19 came to "kill everything". Before the pandemic, he sold shoes, but the price of goods rose and demand in the market declined, leaving him with unsold product for almost two years. "It was money tied up," he said. To survive, he opted to sell "a bit of everything: iron, radios, and hoses for butane gas cylinders". In other words, he was forced to diversify his business so that at the end of the day, he could bring home an average of 1,500 Kz. But Bernardo's account is no different from the reality of most traders, such as Aristóteles Salvador, 24, who gave up selling butane gas to provide manicure and pedicure services. Others opt for businesses with low investment, but high demand, such as the sale of masks, alcohol gel or even washing cars.
Despite the fee charged to traders at the Kikolo market, of 250 Kz - 100 of which are collected informally for the benefit of men who provide security - the space is full of garbage. The market coordinator, Carlos Silva, acknowledged that the challenge has been the collection of garbage, stressing that it is a problem left by the previous management.

E&M learnt that the Kicolo market collects, daily, about 800 thousand Kz in fees; reason why the vendors do not understand the reason for poor basic sanitation across the market.

It is known, however, that of the amounts collected in the markets, 80% go to the municipal treasury and 20% to the internal management of the spaces. The KM30 Market, according to E&M sources, can collect, per day, an amount estimated at approximately 3 million Kz in fees.

Read the full article in the July issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

7
Assine a Revista Digital - Economia & MercadoAssine a Revista Digital - Economia & Mercado