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Constante dança de cadeiras demonstra instabilidade no Governo de João Lourenço

Em quatro anos de governação, João Lourenço já exonerou três ministros da economia, perfazendo uma média de um ministro por ano.

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José Zangui
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José Zangui

O primeiro governo apresentado por João Lourenço, em Setembro de 2017, teve como ministro da Economia e Planeamento Pedro Luís da Fonseca, que  esteve no cargo durante quase dois anos.

Em Julho de 2019, sai para entrar Manuel Neto da Costa, que ainda esteve menos tempo. Em Janeiro de 2020, muda mais uma vez para colocar Sérgio Sousa Santos que, serviu José Eduardo dos Santos no Palácio da Cidade Alta, como conselheiro para a área económica. Agora é a vez de Mário Caetano  Sousa ocupar o lugar, tornando-se no quarto, em quatro anos. Mário Caetano foi até a data da sua nomeação secretário de Estado do mesmo pelouro.

Nos meios políticos, Sérgio Santos, para uns é competente político da nova geração, para outros é um jovem que fala muito e pouco faz para os desafios que João Lourenço se propôs enfrentar.

É pelo Ministério da Economia e Planeamento que passam importantes e decisivas reformas estruturais, com destaque para o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI). Mário Caetano de Sousa, o novo ministro é tido como uma pessoa mais prática.

 

Até agora, após quatro anos de governo, o Presidente da República já procedeu a exoneração dos seguintes ministros: da Defesa, do Interior, das Relações Exteriores, das Finanças, da Comunicação Social, da Indústria, da Administração do Território, da Agricultura, do Comércio, das Telecomunicações, da Cultura, Turismo e Ambiente, dos Transportes da Educação (duas vezes), da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social.

As causas das exonerações são sempre desconhecidas, visto que o Presidente da República na qualidade de Chefe do Executivo tem o poder discricionário.

Notar que os únicos que têm escapado a “dança de cadeiras” até ao momento são os ministros da Justiça e dos Direitos Humanos, dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, das Obras Públicas e Ordenamento do Território, Ministro da Energia e Águas, do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, da Saúde e da Juventude e Desportos.

O académico Victor Barbosa, em declarações à E&M, considerou que as mudanças contantes nos ministérios e outras instituições provocam efeitos nefastos não apenas à economia, mas também à própria sociedade, porque um determinado governante assume compromissos que o sucessor pode não levar avante. “É grave o que o presidente está a fazer porque demonstra que não tem equipa. Mais grave ainda, com estas danças de cadeira, deita por terra o combate à corrupção que fica incentivado pelo facto de cada um que ocupar um cargo tirar a sua parte porque não sabe quando vai ser exonerado”, disse.

 

Por sua vez, o economista Carlos Rosado de Carvalho disse à rádio MFM, que o que se passa com o Ministério da Economia e Planeamento só é comparado com as mexidas no Governo Provincial de Luanda (GPL).

Carlos Rosado alertou que a instabilidade governativa tem consequências na própria governação do presidente João Lourenço, que demonstra não ter ainda uma equipa de trabalho bem montada ao cabo de quatro anos.  

 

Ao conceder posse aos novos membros do Executivo, João Lourenço afirmou que se deve ter a noção de que são uma equipa. “Ninguém trabalha sozinho. Deve haver entreajuda entre nós e termos sempre presente o sentido de Estado", declarou.

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