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Constrangimentos económicos persistem e põem à prova políticas do Governo

Em dois anos de governo de João Lourenço, a economia nacional vê a agravar-se nos últimos 24 meses: taxa de desemprego a 28,8%, PIB per capita a 3229.60 USD (nível mais baixo desde 2010).

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Pedro Fernandes
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Pedro Fernandes

A cesta básica cifrada a 16,94% está mais cara comparativamente a Julho de 2018 (inflação homóloga) e uma dívida pública a 84,8% do Produto Interno Bruto.

Estagnada no tempo, as políticas económicas do país não têm sido capazes de resultar em práticas económicas, financeiras e administrativas que visam o desenvolvimento económico do país, conforme avaliação de economistas consultados pela Revista Economia e Mercado.

Em actividade há 24 meses, as estratégias da equipa económica do Presidente João Lourenço ainda não surtiram efeitos e os relatos sobre o alto custo de vida, o desemprego e a falta de perspectiva progressista são tópicos centrais nos diálogos em distintas esferas da sociedade angolana. Francisco Miguel Pedro, investigador do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola partilha da opinião mas sublinha o facto de o presidente João Lourenço ter herdado o país “num contexto económico difícil.”

“Em 2017, altura em que foi eleito o Presidente da República, o país já vinha de uma recessão económica de 2016, pelo que, justamente, não podemos atribui-la ao actual Chefe do Executivo”, argumenta.

Não obstante as justificações que apresenta, o investigador do CEIC da Universidade Católica de Angola esperava em 2018 por uma melhoria do cenário económico nacional, o que, contra as suas expectativas, não aconteceu.

Naquele ano, enquanto os cálculos do Governo apontavam para o crescimento económico na ordem dos 2,2%, os resultados apresentados no final de 2018 revelaram uma recessão na ordem dos 1,7%, acentuando os 0,2% negativos de 2017.

“O Produto Interno Bruto em termos reais não tem vindo acrescer, pelo contrário, tem decrescido. E quando a economia não cresce, não gera empregos, logo, o número de desempregados aumentou consideravelmente”, relata.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego nacional ronda os 28.8% e roça o 51% entre os jovens, o que mais agrava a expectativa de vida dos angolanos, ainda mais ao se somar a estes elementos uma taxa de inflação acumulada na ordem dos 16,94% (a cesta básica está 16,94% mais cara comparativamente a Julho de 2018).

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