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Constrangimentos impedem desenvolvimento do sector agrícola

Em Angola, o sector continua a ser fustigado por uma série de constrangimentos que impedem o seu “desenvolvimento mais harmonioso”, afirmou esta semana Fernando Pacheco.

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Cláudio Gomes
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Cláudio Gomes

Segundo o agrónomo, que falava durante a cerimónia de apresentação do Relatório Económico de Angola 2019-2021, elaborado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), o país não conseguiu alcançar a autossuficiência na produção de sementes, nem de fertilizantes, porque em tempo oportuno não foram feitos investimentos suficientes no sector.

“Não adianta fazer-se um investimento compartimentado, não adianta, por exemplo, distribuir tractores pelo país, se os outros problemas não estiverem resolvidos”, disse, realçando, por outro lado, que “são muitos” os problemas por resolver.

Ao fim de todos estes anos, de acordo com o agrónomo, o país não é, “nem de longe”, autossuficientes em sementes. De acordo com o interveniente, preferiu-se investir nos grandes projectos e não nos projectos fundamentais.

A título de exemplo, Fernando Pacheco apontou o facto de a República da Zâmbia ter avançado consideravelmente na produção de sementes ao ponto de se tornar um dos fornecedores dos produtos para Angola. No seu entender, este facto “devia constituir uma vergonha” para todos os angolanos, em particular para os responsáveis do sector agrário.

Recorrendo as projecções do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o agrónomo disse, por outro lado, que o stock nacional de fertilizantes ainda está aquém das suas reais necessidades.

“Em 1974 as estimativas de necessidades de fertilizantes do país já eram de 50 mil toneladas, o que quer dizer que há quase 50 anos as nossas necessidades já eram de 50 mil toneladas. A FAO, no princípio dos anos 80, considerava que as nossas necessidades eram de 300 mil toneladas. E se olharmos para a área cultivada do nosso país que é de cerca cinco milhões de hectares, segundo dados do Ministério da Agricultura, e se pensarmos apenas na fertilização ou adubação de um quinto desta área, ou seja, de um milhão de hectares, precisaríamos agora de 500 mil toneladas. “Ou seja, estamos agora a cobrir apenas 10% das nossas necessidades”, afirmou Fernando Pacheco, durante a exposição.

Em sentido contrário, Fernando Pacheco defendeu a necessidade urgente de se pensar num desenvolvimento mais harmonioso ao invés de um desenvolvimento “desequilibrado”.

Por outro lado, reconheceu os progressos que o sector agrícola tem merecido nos últimos tempos. “Não são os desejáveis, mas não deixam de ser progressos. Parece, finalmente, estar a aumentar ou a melhorar o peso político do sector", admitiu. Este peso, acrescentou Fernando Pacheco, é expresso numa série de iniciativas como por exemplo o fornecimento de créditos, maior atenção as cooperativas, a agricultura familiar, as micros, pequenas e médias empresas, respectivamente.

As feiras, para Fernando Pacheco, são eventos de promoção da produção nacional fundamentais para o desenvolvimento do país, no entanto, no passado, “não se olhava para esse instrumento” que na visão do especialista melhorou significativamente a partir do ano de 2020.

Fernando Pacheco interveio durante a apresentação do Relatório Económico de Angola 2019-2020, que contou com as presenças e intervenções de outros especialistas que colaboraram na investigação como a Professora Catedrática Ana Duarte, o economista Manuel Alberto.

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