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Eficácia de vacina chinesa, já disponível em Angola, é questionada por especialistas

Angola recebeu, recentemente, uma doação composta por 200 mil doses da vacina da Sinopharm Pequim que apresenta uma eficácia na ordem dos 79%.

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Aquando da recepção das doses da referida vacina, a ministra angolana da Saúde, Sílvia Lutucuta, considerou, em Luanda, ser esta uma vacina “muito boa”.

Entretanto, o director do Centro de Controlo de Doenças da China, Gao Fu admitiu que a vacina produzida no seu País tem baixa eficácia, razão pela qual está em curso um estudo de uma possível combinação de vacinas, visando uma melhor eficácia.

"É uma vacina muito boa, com uma eficácia de 79%. Em alguns países, como os Emirados Árabes Unidos, Marrocos e a China, essa eficácia é mais alta”, explicou o responsável chinês.

Gao Fu reconheceu uma rara admissão da fraqueza das vacinas chinesas contra o novo Coronavirus, afirmando que não têm taxas de protecção muito elevadas. Esta revelação aconteceu em conferência em Chengdu, uma cidade do sudoeste da China.

"Está agora formalmente em análise se devemos usar diferentes vacinas de diferentes linhas técnicas no processo de imunização", indicou o director do Centro de Controlo de Doenças da China.

Segundo dados publicados no site da SIC Notícias, investigadores brasileiros estimam que a taxa de eficácia da vacina Sinovac para o coronavírus cifram-se na ordem dos 50,4%.

Até ao momento, de acordo com a imprensa estrangeira, Pequim ainda não aprovou qualquer vacina estrangeira para uso na China, onde o coronavírus surgiu em finais de 2019. Entretanto, nas regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau estão disponíveis vacinas estrangeiras.

Gao Fu não forneceu detalhes sobre possíveis mudanças na estratégia, mas apontou o uso de tecnologia RNA mensageiro (mRNA), uma técnica experimental já usada pelos fabricantes ocidentais de vacinas enquanto os produtores de fármacos na China usam tecnologia tradicional.

"Todos devem considerar os benefícios que as vacinas mRNA podem trazer para a humanidade", assumiu Gao. "Devemos seguir isto com cuidado e não ignorar só por já termos vários tipos de vacinas".

Gao levantou anteriormente questões sobre a segurança das vacinas mRNA, como a Pfizer/BioNtech ou Moderna.

Foi citado pela agência de notícias oficial Xinhua a declarar em Dezembro que não podia descartar efeitos secundários negativos porque estavam a ser usadas pela primeira vez em pessoas saudáveis.

Os órgãos de comunicação social estatais chineses e blogues populares de saúde e ciência também questionaram a segurança e eficácia da vacina da Pfizer, que usa mRNA.

Até 2 de abril, cerca de 34 milhões de pessoas receberam as duas doses exigidas das vacinas chinesas e cerca de 65 milhões tomaram uma dose, segunda Gao.

Especialistas dizem que misturar vacinas, ou imunização sequencial, pode reforçar as taxas de eficácia. Ensaios em todo o mundo estão a analisar a mistura de vacinas ou administração de um reforço após um período mais longo. Investigadores em Inglaterra estão a estudar a possível combinação de vacinas da Pfizer e da Oxford/AstraZeneca.

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