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Gourmandise Chocolates sobrevive ao “fardo” da importação

Apesar das dificuldades para manter o negócio, Song Tali Livramento, mentora e gestora do projecto, acredita em dias melhores. Por esta razão, em 2019, reinvestiu cerca de 15 milhões de kwanzas...

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:
Carlos Aguiar

Fundada em 2010, a Gourmandise Chocolates é uma microempresa angolana, que mantém uma linha de produção de chocolates artesanal dependente em 80% da importação de matéria-prima, uma vez que Angola não produz cacau em quantidades suficientes.

Actualmente, além dos salários, os maiores encargos da empresa incidem na importação de matéria-prima e no arrendamento do imóvel onde está instalada a pequena fábrica.

Apesar das dificuldades para manter o negócio, Song Tali Livramento, mentora e gestora do projecto, acredita em dias melhores. Por esta razão, em 2019, reinvestiu cerca de 15 milhões de kwanzas no intuito de transformar o negócio caseiro numa pequena fábrica. “O plano é tornar a Gourmandise numa fábrica com maior capacidade”, perspectivou a sócia-gerente, que espera alcançar esse objectivo a longo prazo, atendendo ao actual contexto macroeconómico nacional.

Afirmou ainda que aumentar a capacidade de produção da pequena fábrica permitiria expandir as vendas para o resto do país e, posteriormente, exportar para países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Mesmo com as dificuldades para importar a matéria-prima, considerando a escassez de divisas, explica que a empresa tem vindo a crescer. Por exemplo, em tempos de pico de procura, como na época natalícia, a capacidade de produção atinge os 100 quilogramas de chocolate por mês, equivalente a uma média de 1000 tabletes de 100 gramas cada.

Além do mercado ocidental, a empresa encontra fornecedores no mercado africano, com destaque para a África do Sul e Tunísia, onde compra produtos indispensáveis como o chocolate bruto e embalagens.

Segundo a gestora da Gourmandise Chocolates, o mercado nacional apresentava os mesmos problemas que enfrentava em 2010, altura em que começou o negócio. “Falta quase tudo”, afirmou Song Tali, apontando a ausência de matéria-prima e outros materiais necessários para a produção de chocolates no mercado nacional. “A diferença é que nos anos anteriores era mais fácil comprar moeda estrangeira”, recordou.

A empreendedora acredita na força das microempresas no que respeita à criação de empregos, sobretudo para os jovens recém-formados. “As pessoas acabariam por ter um salário no final do mês e, consequentemente, as famílias conseguiriam criar a sua própria sustentabilidade”, afirmou.

No entanto, Song Livramento entende que, para que tal aconteça, o Governo deveria incentivar a produção de matérias-primas locais e aumentar os incentivos fiscais, sobretudo para as microempresas. Esta medida, acrescentou, poderia ajudar a alargar, efectivamente, a base tributária, ainda muito dependente do petróleo e dos grandes contribuintes.

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