3
1

Importação de vinhos sofre embate da crise

O mercado de vinhos regista, neste momento, um significativo abrandamento como consequência da fragilidade estrutural da economia nacional, o que acaba por encarecer o produto.

1
2
Cláudio Gomes
Fotografia
:
DR
Cláudio Gomes

No primeiro trimestre de 2018, Angola importou um total de 6.776,46 toneladas de vinhos, uma diferença de menos 2.678,24 toneladas comparativamente com o período homólogo de 2017, em que foram importadas 9.454,70 toneladas, de acordo com dados do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

Portugal continua a ser o maior exportador de vinhos para Angola. Em 2018, o volume das exportações de vinhos portugueses para o mercado nacional cifrou-se em perto de 42 milhões de dólares, uma queda acima dos 60%, tendo em conta os dados de 2015, altura em que as exportações estavam avaliadas em quase 100 milhões.

De acordo com os dados fornecidos pela ViniPortugal – uma associação interprofissional de Portugal –, só no ano passado registou-se uma variação negativa nas exportações do produto na ordem dos 7%. Angola importou pouco mais de 2,5 milhões de caixas de nove litros (caixa de 12 garrafas) de vinhos portugueses, das quais cerca de 600 mil eram de vinhos certificados, com Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG). Apesar do recuo, refere o presidente da instituição, Jorge Monteiro, Angola ainda é o quarto maior mercado para os vinhos de origem portuguesa fora da Europa, e o oitavo país no mundo que mais importa vinhos a partir de Portugal, sendo que a Alemanha, França e o Reino Unido lideram a escala em termos de mercados que mais consomem os produtos portugueses.

“Ainda é cedo para fazer qualquer ante-visão, porém,os números apontam para uma ligeira quebra”, admitiu, sublinhando o aumento daprocura de vinhos “não certificados” (que representam 20% do total das exportações).

Portugal não é o único mercado que se ressente ante a asfixia na exportação de produtos vinícolas. O volume de importação de vinhos argentinos, de acordo com David Lobato, do Grupo Peña Flor, com tradição reconhecida no sector, também “baixou consideravelmente”.

“Nos últimos anos, o volume tem sido muito baixo devido às restrições de importação, o que em matéria de tributação e liberação de certificados de importação tornou muito difícil o trabalho”, explicou.

Apesar de figurarem no leque de vinhos alternativos aos portugueses, os últimos anos foram “muito difíceis” para os vinhos de origemargentina no mercado nacional. Por esta razão, David Lobato considera que o investimento feito pelo grupo que representa fará apenas “sentido no longo prazo”, ou seja, num contexto diferente do actual, porque a perda do poder de compra por parte dos consumidores angolanos abriu portas a uma “mudança de hábitos de consumo”.

Fontes contactadas pela Economia & Mercado explicam que a tendência decrescente do mercado, aliada à subida de preço, tem obrigado os apreciadores da bebida a procurar “produtos substitutos”, recorrendo ao consumo de bebidas mais baratas.

Leia mais na edição de Outubro de 2019

Economia & Mercado – Quem lê, sabe mais!

7