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Mais de 41 mil pessoas em situação grave nos Gambos devido à seca

O governador da província da Huíla considerou "grave" a situação em que se encontram habitantes das regiões de Taka, Chiange e Tunda, nos Gambos, província da Huíla por causa da seca severa.

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Cláudio Gomes
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Cláudio Gomes

Nuno Mahapi Dala deslocou-se à região para constatar a situação do município, que não regista chuvas há sete meses, e tem até as culturas resistentes à seca a morrer, segundo a Angop.

Segundo o governador, que manteve um encontro com o Conselho de Auscultação Local, foram colhidas contribuições para se afinar as metodologias de intervenção, com vista a encontrar-se uma solução para vários problemas identificados em variados domínios, a começar pelo levantamento das zonas mais afetadas.

A situação é "grave", referiu Nuno Mahapi Dala, salientando que os habitantes estão a ser forçados a vender o gado a preços baixos, devido à falta de pasto e como forma de obter algum dinheiro para as suas necessidades básicas.

Em representação da comunidade, padre Pio Wakussanga informou que existem já muitas pessoas a sofrer de anemia, crianças, mulheres e homens, além de um número elevado de famílias que já abandonou o município a pé, para procurar sustento em outras zonas da província e na República da Namíbia.

O líder religioso apelou a uma intervenção urgente das autoridades, para que se evitem mortes.

De acordo com um relatório de Fevereiro do Programa Alimentar Mundial (PAM), citado pela agência nacional de notícias, refere que numa comparação às chuvas observadas desde 1981, as províncias do sudoeste de Angola registaram a pior seca dos últimos 40 anos, durante os meses de novembro de 2020 a janeiro deste ano.

O período chuvoso nas províncias afetadas geralmente termina na primeira semana de Maio, realçou a pesquisa, faltando apenas cerca de um mês para o fim da época chuvosa.

"Se a escassez de precipitação prevalecer haverá baixas colheitas da primeira safra e haverá poucas oportunidades de sementeiras de segunda safra, por falta de humidade residual no solo. Dependendo da severidade da seca, algumas regiões poderão ter escassez de água para o consumo humano, tal como aconteceu em 2019", alerta o estudo do PAM.

A organização das Nações Unidas recomendou uma monitorização contínua da precipitação, de modo a identificar as províncias e municípios mais críticos "para uma avaliação profunda de segurança alimentar e nutricional pós-colheita, com o objetivo de medir com detalhe a magnitude e severidade dos impactos da escassez da chuva na segurança alimentar e nutricional".

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