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Mais de 50% dos activos num sector precário

Segundo o INE, mais de 5 milhões de pessoas trabalham no sector primário (agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca), representando 56,1% da população activa.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

O que devia ser motivo para alegria, rapidamente se transforma em alardo, porque ao olharmos para os dados do BNA, percebemos que o sector que emprega mais de metade da população activa no país representa apenas, (e esse apenas tem negrito e sublinhado) 2,3% do PIB, mostrando portanto, que estas pessoas em quase nada contribuem para a robustez da economia angolana.

O caso fica ainda mais preocupante se tomarmos conta de que é o petróleo bruto, como se pode verificar na balança de pagamentos publicada pelo BNA, o líder das exportações, com 80% do total das exportações. No mesmo documento percebe-se que excluindo o gás e os diamantes, ficamos com cerca de 3,4% das exportações, que naturalmente farão menção ao sector no qual se enquadra agricultura, pesca, produção animal, caça e floresta.

Na sua edição de Julho, número 201, a Economia e Mercado faz um estudo aturado sobre a Economia do Mar. E como é habitual nas nossas edições, os números foram destapados, e nisso, surgiram dados deveras interessantes, dentre os quais, estes.

Então vejamos, se mais de 50% dos activos estão num sector que pesa apenas 2,3% na economia, não se precisa ser cientista para perceber o quão “indisposta” anda avida dos nossos compatriotas que trabalham neste sector, e mais grave, o quão “indisposta” anda a “vida” da nossa economia. Se aliarmos a isso a questão do peso das exportações no sector, num comparativo com a Mauritânia, país pequeno, onde só o sector pesqueiro representa cerca de 45% das exportações por exemplo, percebemos que o buraco é mais fundo do que se pensou numa primeira ideia.

Na sua dissertação de Mestrado em Economia do Mar, Francisca Nassoma Kumandala Bentral defende que se o Executivo investisse 3 ou 4% do que investe em petróleo, no mar, teríamos um sector muito mais desenvolvido. - É de se começar a pensar nisso com alguma seriedade. O site de notícias Angonoticias e quase toda imprensa, fez saber que o Executivo estaria disposto a gastar 920 milhões de dólares para a construção da refinaria do Lobito, o que representa um investimento num projecto que gera consenso entre os especialistas, diminui a dependência que ainda temos. Mas já se pensou o que seria se investimentos do género fossem feitos no sector primário, sector que aliás, como vimos, sabe o INE, e portanto, sabe o Executivo que é o que mais emprega angolanos?

Não é já altura para se sair dos discursos e efectivamente apostar na tão propalada diversificação da economia?

Em 2014 o relatório do FMI mostrou que Angola é dos piores países na relação eficiência/eficácia do investimento público. Sendo que apesar de ser dos países com maior investimento público, este investimento não era em coisas que resolvessem os problemas das populações, ou seja, Angola comprava o que não precisava. E está aí mais uma prova de que o relatório que na época, aquando da feitura da minha dissertação de Mestrado, achei exagerado, estava e infelizmente continua correcto. Há que tomar nota dos inquéritos e definir estratégias em função dos números deles, eles dizem o que verdadeiramente são as necessidades do povo.

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