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Medidas para conter a Covid-19 mudaram rotas de tráfico de droga, segundo relatório da ONU

A unidade da ONU sediada em Viena aponta que "algumas cadeias de suprimentos de drogas foram interrompidas e os traficantes estão a procurar rotas alternativas.

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As medidas para conter a pandemia da Covid-19 interromperam as rotas de tráfico por via aérea e há "uma redução drástica ou aumento da interdição" por terra, de acordo com um relatório publicado pelo Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC, na sigla em inglês).

A unidade da ONU sediada em Viena aponta que "algumas cadeias de suprimentos de drogas foram interrompidas e os traficantes estão a procurar rotas alternativas, incluindo marítimas, dependendo dos tipos de estupefacientes contrabandeados".

De acordo com o relatório do UNODC, "drogas sintéticas, como a metanfetamina, tendem a ser traficadas pelos continentes pelo ar mais do que outros tipos de drogas" e, "portanto, é provável que as restrições às viagens aéreas tenham um efeito particularmente drástico nessa carga ilegal".

Em relação à cocaína, o estudo refere que a maior parte desse produto é transportador por mar e grandes cargas continuam a ser detectadas nos portos europeus durante a pandemia.

Já a heroína tem sido traficada por terra, "porém, devido à pandemia, as rotas marítimas parecem ser cada vez mais usadas no tráfico". O relatório aponta, entretanto, que "o tráfico de canábis, pode não ser afectado da mesma forma que a heroína ou a cocaína, uma vez que a sua produção ocorre frequentemente perto dos mercados consumidores e os traficantes ficam menos dependentes de remessas longas e trans-regionais de grandes quantidades da droga".

Quanto às tendências de consumo, vários países relataram escassez de medicamentos na venda a retalho, o que na análise da UNODC, "pode levar a uma diminuição geral no consumo, mas principalmente das drogas consumidas em locais de lazer".

No entanto, no caso da heroína, uma escassez no suprimento a retalho pode levar ao consumo de substâncias nocivas produzidas localmente. Alguns países da Europa, Sudoeste Asiático e América do Norte relataram a ausência do produto, enquanto alguns estados europeus alertaram que os consumidores deste tipo de estupefaciente "podem até mudar para o [medicamento] fentanil e seus derivados".

A UNODC sublinha que também foi relatado um aumento no uso de produtos farmacêuticos como benzodiazepinas, que já viram o seu preço a aumentar para o dobro em determinadas regiões. Outro padrão prejudicial resultante da escassez de drogas é o aumento no uso de estupefacientes injectáveis e a partilha de equipamentos injectores.

Todos estes factores, alerta a agência, "podem potenciar o risco de propagação de doenças como VIH/sida, hepatite C e a própria Covid-19", que já fez mais de 250 mil mortes, resultantes de mais de 3.672.000 casos positivos em todo o mundo.

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