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Monopólio do Estado na imprensa angolana frustra expectativas

O jornalista Carlos Rosado disse que o País registou um “recuo muito grande” na liberdade de imprensa, agravada com o controle de empresas de comunicação social por parte do Estado.

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Cláudio Gomes
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Cláudio Gomes

Para o profissional que dissertou ontem, sexta-feira, 29 de Abril, em Luanda, o tema “A liberdade de imprensa e o jornalismo económico”, numa iniciativa da Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO), a situação “piorou muito” em temos de liberdade imprensa.

No seu entender, houve um “recuo muito grande, depois de um início com muita esperança, muita expectativas”. “Foram criadas expectativas que do meu ponto de vista não se estão a cumprir. As televisões são todas controladas pelo Estado (...) e as poucas que existiam foram privatizadas”, lamentou.

“Sabemos que as televisões são, actualmente, em Angola e em qualquer País, talvez com a exceção das redes sociais, o principal veículo e o que vemos é que as televisões são do Estado”, frisou Carlos Rosado de Carvalho, visivelmente preocupado com a situação que envolve as empresas privados de comunicação social do País.

“A nossa Lei de Imprensa proíbe o monopólio na comunicação social. O que estamos a assistir agora é os monopólio do Estado na comunicação social”, disse Carlos Rosado de Carvalho em declarações à imprensa.

Segundo o também economista, se há alguém, em Angola, que não cumpre Leis, “é o governo”. “O governo não cumpre Leis”, sublinhou o profissional de comunicação social.

O jornalista lamentou, por outro lado, a situação que reiteradas vezes envolve profissionais de comunicação social em actos claros de agressões. “Nas manifestações assistimos agressões a jornalistas que estão no cumprimento do seu deve”, repudiou.

Em relação ao papel dos jornalistas no exercício da profissão, Carlos Rosado de Carvalho disse que os jornalistas “tem um código deontológico”, que os obriga a informar com independência, objectividade e isenção.

“Os nossos patrões são os leitores, os telespectadores, os rádios-ouvintes. O patrão do jornalista não é o governo, não é o empresário privado, não é o PCA, não é o administrador de conteúdos”, declinou, sublinhando que os profissionais só precisam fizer o seu trabalho.

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