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Moradores de bairros periféricos continuam sem água potável

Os moradores dos bairros Baixa do Maruvo, Bela Vista e Matadouro, no município de Belas, continuam sem água potável, o que os obriga a ceder à especulação de preços desse produto.

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Cláudio Gomes
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Cláudio Gomes

Os moradores dos bairros localizados nos distritos dos Ramiros e Morro dos Veados, ambos no município de Belas, locais já visitados pela Economia & Mercado, fazem das tripas o coração para ter acesso à água potável, uma vez que o abastecimento deste bem chega aos seus domicílios sazonalmente através de camiões cisternas.

Apesar de as autoridades terem proibido, no âmbito do Plano de Contingência do Governo Contra a Covid-19, a venda a preço especulativo e, ao mesmo tempo, terem credenciado camiões cisternas para distribuir gratuitamente esse bem essencial à população, os moradores denunciam actos recorrentes de especulação de preços e de aproveitamento, decorrentes da carência de água e da falta de fiscalização.

Com o eclodir da pandemia da Covid-19, que tornou o confinamento social uma necessidade de sobrevivência, a carência do precioso líquido acentuou-se ainda mais.

Alberto João, nome fictício de um morador do Bela Vista, no distrito do Morro dos Veados, afirmou, em entrevista feita por telefone, ter comprado, recentemente, cinco mil litros de água a 10.000 Kwanzas a camião cisterna credenciado. A fonte que vive na localidade com quatro filhos e a sua esposa, confidenciou à E&M que pagou 2.000 Kwanzas por cada 1.000 litros de água potável, mais 1.000 Kwanzas que o habitual.

Ainda no distrito do Morro dos Veados, propriamente no bairro Matadouro, os moradores afirmam ter testemunhado apenas uma vez, desde a implementação do programa de atenuação dos efeitos socioeconómicos da Covid-19, um único camião cisterna credenciado a abastecer gratuitamente à população. De lá para cá, apesar da comunidade não beneficiar da rede pública de distribuição de água, nenhum outro camião foi visto na zona a distribuir água gratuitamente.

No mesmo município, mas no distrito dos Ramiros, igualmente entrevistados por telefone, os moradores afirmaram que continuam a comprar o precioso líquido nas tarifas cobradas antes da implementação do Plano de Contingência. Dito doutro modo, na Baixa do Maruvo, um dos bairros que nunca beneficiou da rede pública de água, segundo Adelino Azevedo, são necessários 85 Kwanzas para ter um bidão de 20 litros de água.

Segundo a fonte, que mora na localidade há mais de cinco anos, para abastecer os recipientes da sua casa, onde vive com mais 12 filhos e a esposa, gasta não menos de 1.700 Kwanzas semanais para abastecer dois reservatório de 200 litros cada.

Já os bairros Mundial, África do Sul, Obama, Três Imbondeiros, Bandeira, Tendas, todos no município de Belas, e o Gamek à Direita, no distrito da Samba, não beneficiam da rede pública de abastecimento de água, sendo que muito deles também se confrontam com falta gritante de corrente eléctrica, o que propicia elevados índices de criminalidade.

No âmbito do Plano de Contingência do Governo para combater a pandemia da Covid-19, a Empresa Pública de Abastecimento de Água de Luanda (EPAL-EP), junto dos parceiros sociais, conta com 65 camiões cisternas afectos a empresas privadas para apoiar as comunidades carenciadas. Segundo a Angop, as comunidades do município de Belas, receberam 140 mil litros de água potável.

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