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O “Calcanhar de Aquiles” de Vladimir Putin”

Vivemos, novamente, um clima de grande preocupação face à perspectiva da eclosão de um conflito militar no leste da Europa, envolvendo a Ucrânia e a Rússia.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

A Ucrânia e a Rússia, juntamente com a Bielorrússia, constituíram a verdadeira espinha dorsal da extinta União Soviética. Lembremo-nos que a União federalizou 15 repúblicas, estendendo-se até aos confins da Ásia. Era, em extensão, o maior país do mundo.

A implosão da União Soviética deu originem a múltiplas repúblicas independentes, quer no continente europeu (Letónia, Estónia e Lituánia, Ucrânia, Bielorrússia e Moldávia), quer no continente asiático.

Salvo a Bielorrússia, as ex-repúblicas soviéticas europeias são já democracias consolidadas. Porém, de uma forma geral, as repúblicas surgidas na parte asiática ainda são governadas por regimes autoritários, muito na linha do velho “modelo soviético”. Continuam, assim, influenciadas pelo regime de Moscovo.

Das novas repúblicas europeias saídas da ex-União Soviética, a Ucrânia é hoje o verdadeiro “Calcanhar de Aquiles” do Presidente da Rússia.

A Ucrânia instituiu uma democracia pluralista aliada das potências europeias ocidentais e manifesta a vontade de se associar à NATO, aliança militar auspiciada especialmente pelos EUA e pelos países da Europa Ocidental, mas onde se também inclui o Canadá, Turquia e mesmo até países que, no passado, estiveram sob influência soviética.

Uma Ucrânia na NATO levará as tropas da aliança a chegarem, finalmente, à fronteira leste e nordeste da Rússia, seguramente, das mais importantes razões do presente conflito. Com a agravante de, em termos numéricos, as forças armadas da Ucrânia serem as segundas mais volumosas da Europa, logo depois da Rússia.

Mas outra razão pode ajudar a entender o conflito que opõe esses gigantes da Europa: o grande potencial económico da Ucrânia, um verdadeiro “celeiro da Europa”, pelos solos demasiado férteis que possui, fazendo dela um dos maiores exportadores de grãos do mundo. Sem descurar também o facto de ter uma indústria muito desenvolvida. Caindo completamente na esfera ocidental, aumentará ainda mais a pressão sobre a Rússia de Vladimir Putin.

Uma Ucrânia na NATO levará as tropas da aliança a chegarem, finalmente, à fronteira leste e nordeste da Rússia, seguramente, das mais importantes razões do presente conflito.

Leia o artigo completo na edição de Janeiro, já disponível no aplicativo E&M paraAndroid e em login (appeconomiaemercado.com ).

Vladimir Putin's “Achilles' Heel”

We are again experiencing times of great concern at the prospect of the start of a military conflict in Eastern Europe, involving Ukraine and Russia, which, together with Belarus, formed the true backbone of the defunct Soviet Union. The Union once federalized 15 republics, extending to the farthest reaches of Asia. It was the largest country in the world.

The implosion of the Soviet Union gave rise to multiple independent republics, both in Europe (Latvia, Estonia and Lithuania, Ukraine, Belarus and Moldova) and in Asia.

With the exception of Belarus, the former European Soviet republics are now consolidated democracies. However, in general, the republics that emerged in the Asian continent are still governed by authoritarian regimes, much along the lines of the old “Soviet model”. Thus, they are still influenced by the Moscow regime.

Of the new European republics that emerged from the former Soviet Union, Ukraine is today the real “Achilles Heel” of the President of Russia.

Ukraine has established a pluralistic democracy. It is an ally of the Western European powers and is willing to join NATO, a military alliance sponsored especially by the USA and Western European countries, but also by Canada, Turkey, and even countries that in the past were under Soviet influence.

Ukraine joining NATO means that the alliance's troops will finally reach Russia's eastern and northeastern border, surely one of the most important reasons for the present conflict; with the aggravating factor that, in numerical terms, Ukraine's armed forces are the second largest in Europe, after Russia.

But there is something else that can help understand the conflict that opposes these European giants: the great economic potential of Ukraine, a true "granary of Europe", due to its extremely fertile soils, making it one of the largest exporters of grain in the world, in addition to possessing a very developed industry. If Ukraine falls completely into the Western sphere of influence, the pressure on Vladimir Putin's Russia will further increase.

Ukraine joining NATO means that the alliance's troops will finally reach Russia's eastern and northeastern border, surely one of the most important reasons for the present conflict.

Read the full article in the January issue, now availableon the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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