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O Poder e a Imprensa

Quase 10 meses depois da suspensão do canal Zap Viva, a empresa proprietária anunciou o seu encerramento e, consequentemente, o despedimento de centenas de trabalhadores.

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Sebastião Vemba
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Sebastião Vemba

O facto trouxe ao debate os recuos da democracia no país, quando falta pouco tempo para o início oficial da campanha eleitoral e quase cinco anos depois de João Lourenço ter assumido o poder e ter sinalizado, de várias formas, a intenção de promover uma maior liberdade de imprensa, principalmente nos meios de comunicação públicos.

E houve, de facto, avanços, principalmente uma maior pluralidade de fontes na imprensa pública, embora não se tivesse registado equilíbrio no tempo de antena dedicado às várias forças políticas. Registou-se, entretanto, uma maior abertura à imprensa internacional, para quem João Lourenço falava no âmbito da chamada diplomacia económica e, em 2018, o Presidente da República concedeu duas entrevistas colectivas ao país, sendo que a primeira aconteceu em menos de seis meses do seu mandato. Mas nos anos subsequentes seguiram-se grandes recuos. O programa de combate à corrupção trouxe à esfera pública a gestão de vários meios de imprensa que, na maior parte dos casos, perderam neutralidade editorial e investiram fortemente na manutenção do poder. Também se investiu em campanhas contra as forças oponentes das entidades palacianas e não se pode negar que tenha surgido uma maior polarização da imprensa, em que até os órgãos que vêm tentando seguir “o caminho do meio” e da independência editorial foram vistos como do contra. Por isso, deviam ser fragilizados.

Numa interessante entrevista ao jornal português Diário de Notícia, o antigo director do espanhol El Mundo, David Jiménez, defendeu que o maior problema da sobrevivência da imprensa é o poder económico, pois ela não pode ser livre “enquanto depende de favores de grandes empresas ou de uma licença de rádio ou de televisão que dá o governo ou da publicidade institucional”. Ele próprio, vítima das suas convicções e lutas por um jornalismo independente – acabou por ser despedido um ano depois -, considera que “a tendência natural do poder em todo o mundo é sempre controlar a imprensa”. Porém, em sentido contrário, a tendência natural da imprensa deve ser vigiar o poder e resistir à pressão. Infelizmente, às vezes, acontece o jogo baixo. Perdem-se empregos, perde a economia e perdem as famílias…

Leia o artigo completo na edição de Fevereiro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Power and the Press

Nearly ten months after the suspension of the Zap Viva channel, the owning company announced its closure and, consequently, the dismissal of hundreds of workers. This generated debates about the setbacks of democracy in the country at a time when the official beginning of the electoral campaign is right around the corner, nearly five years after João Lourenço took office and signaled, in various ways, the intention to promote greater freedom of the press, especially in the public media.

And there was indeed progress, especially a greater plurality of sources in the public press although there was no balance in the airtime dedicated to the various political forces. There was, meanwhile, a greater openness to the international press, to whom João Lourenço spoke within the scope of the so-called economic diplomacy, granting, in 2018, two collective interviews in the country, the first of which took place within less than six months of his mandate. But major setbacks followed in the subsequent years. The anti-corruption program brought into the public sphere the management of various media outlets that, in most cases, lost editorial neutrality and invested heavily in maintaining power. There were also investments in campaigns against those opposing the palace entities, and it cannot be denied that a greater polarization of the press has emerged, in which even those who have been trying to walk “the middle of the road” and retain editorial independence have been seen as ‘being against’. Hence, they should be undermined.

In an interesting interview to the Portuguese newspaper Diário de Notícia, the former director of the Spanish El Mundo, David Jiménez, argued that the biggest problem for the survival of the press is economic power, because it cannot be free “while it depends on favors from big companies or on a radio or television license given by the government, or on institutional advertising”. He himself a victim of his convictions and struggles for an independent journalism - he ended up being fired a year later -, considers that “the natural tendency of power all over the world is always to control the press. But in the opposite direction, the natural tendency of the press should be to watch the power and resist pressure”. Unfortunately, sometimes the dirty game wins and jobs are lost, the economy loses and families lose....

Read the full article in the February issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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