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Renováveis: África perde oportunidade

Europa lidera a corrida para as energias renováveis, mas a distância para os demais ainda é curta. Países em desenvolvimento, com destaque para os africanos, têm oportunidade para aproximar-se.

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Em África, só a África do sul meteu em prática um projecto ligado aos renováveis. Trata-se do “Renewable EnergyIndependent Power Producer Procurement Programme (REI4P)”, um programa ambicioso que parte domais complexo Integrated Resource Plan, lançado em 2011 pelo governo Sul africano, que prevê objetivos desafiantes, como por exemplo alcançar17.800 megawatts de fontes renováveis até 2030, dos quais mais de 6.000 megawatts (MW) até 2021, como publicou a enelgreenpower no seu site.

Com isso, houve na África do sul, uma redução de 17,25 milhões de toneladas na emissão de dióxido de Carbono (CO2), criação de mais de 30 mil novos empregos e, acima de tudo, um plano orgânico de apoio ao desenvolvimento socioeconómico do país. Provando duas coisas: 1- é possível avançar com os renováveis, e 2- é possível gerar valor com os mesmos.

Como estratégia continental, há o programa da União Africana denominado “A África que queremos 2063”, que refere as questões do ambiente e dos renováveis, mas nenhum tipo de estratégia ou acção palpável. Por agora, só a acção individual da África do Sul, que ao que vai mostrando, é o único país que não vê apenas o petróleo.

Na União Europeia, o processo de adoptação das energias renováveis é antigo. Desde 1990, segundo a EUROSAT, que o investimento nas energias renováveis e amigas do ambiente é crescente. E ganha outro impulso em 2009, quando os líderes da União Europeia fixaram como objetivo que, 20% da energia que consomem fosse proveniente de energias renováveis até finais de 2020. E evoluiu consideravelmente nos últimos 10 anos e em 2018, acordou-se que o objetivo seria que, até 2030, 32 % do consumo de energia da UE seria produzido a partir de fontes de energia renováveis.

Como meio de pressão, os Europeus aprovaram a 23 de Abril de 2009 a directiva original (Diretiva2009/28/CE), que no fundo aplica as diretivas (2001/77/CE e 2003/30/CE). Uma prova deque o assunto dos renováveis é já antigo na Europa. Sendo que em 2009 entre outras, os Estados-Membros foram obrigados a que 10% dos seus combustíveis para transportes fossem obtidos a partir de fontes de energia renováveis.

A fim de manter a posição de liderança mundial no que aos renováveis diz respeito, bem como no cumprimento dos compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris. Em Dezembro de 2018 entrou em vigor uma versão revista da Diretiva Energias Renováveis (Diretiva(UE 2018/2001). Uma pressão que tem dado resultados, hoje, mais que líder neste caminho pela adopção dos renováveis, a UE tem países como a Suécia e Noruega que já têm mais de 50% das suas energias proveniente de renováveis.

 O fim da era do petróleo

As fontes de energias renováveis (energia eólica, energia solar, energia hidroelétrica, energia oceânica, energia geotérmica, biomassa e biocombustíveis) constituem alternativas aos combustíveis fósseis que contribuem para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, diversificam o aprovisionamento energético e reduzem a dependência em relação a mercados de combustíveis fósseis pouco fiáveis e voláteis, em particular os do gás e do petróleo.

Este último que cada vez mais está fadado a diminuir o seu peso e importância no certame internacional. Recorde que o ano 2050 é o limite para a produção de combustíveis fósseis, no âmbito da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030, da ONU e a Agência Internacional de Energia (IEA) que definiu, em 2020, 400 marcos para orientar os países rumo às emissões líquidas zero até 2050 – entre eles, interromper o desenvolvimento de novas reservas de óleo e gás.

Um caminho que também segue o Plano Ecológico Europeu, que pretende reduzir em até55% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030. E diga-se, a União Europeia (UE) tem feito progressos significativos internamente e pretende contribuir para o progresso a nível internacional, abordando as questões complexas e emergentes relacionadas com o Desenvolvimento Sustentável dos recursos naturais. É já dentro dessa senda que um tribunal na Holanda, determinou que a Shell corte em 45% suas emissões e antecipe planos de neutralidade. Punição inédita num país europeu.

 A oportunidade de chegar mais próximo

A verdade é que seguindo o caminho dos renováveis, África e todos os países em vias de desenvolvimento ganham a possibilidade de aproximar-se do “comboio” europeu que já vai andando, mas que no quesito renováveis, ainda não está tão acelerado como nos outros sectores.

É que na transição energética estão incluídos os investimentos avultados, como o que será feito pela portuguesa Galp na exploração de gás natural em Moçambique. Um investimento de cerca de 1,2mil milhões de euros por ano até 2022.  

A distância entre os continentes, é segundo por exemplo Mia Couto, de mais de 50 anos. Mas o forte investimento necessário para a transição dos fosseis para os renováveis, são entraves para a Europa, pelo que, se Africa se atrever a pular uma serie de etapas, desistir do caminho do petróleo e optar pelo caminho dos renováveis, entra num caminho que permite estar mais próximo do continente europeu que apesar de ter começado o processo em 1990, só em 2009 abraçou efectivamente os renováveis.

A prova disso é que só a parti de 2018, as petrolíferas europeias começaram a transição. A Statoil, que levava a origem fóssil no nome, passou a se chamar Equinor. A britânica BP, que originalmente é sigla para “British Petroleum”, ensaiou mais recentemente uma campanha de transição para “beyond petroleum” (“além do petróleo”, em português). Na mesma senda a francesa Total aprovou em Maio de2021, a mudança de identidade visual e de nome para TotalEnergies, marca da estratégia da gigante do petróleo para se transformar numa empresa ampla de suprimento de energia, além da tradicional exploração de óleo e gás. Se África entrar agora, não fica tão atrasada na corrida.

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