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Reservas mundiais de alimentos em baixa

Sebastião Vemba
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Foto:
DR

Até 2050, segundo estimativas do Insti­tuto Nacional de Estatística, a população angolana poderá atingir os 67 milhões de habitantes.

Para José Betten­court Angola precisa aumentar os ac­tuais níveis de produção de alimentos. “Nós teremos de alimentar essa gente”, afirmou, alertando que, a nível global, os stocks de alimentos estão abaixo do reco­mendável, prevendo assim uma alta de preços no futuro.

Angola dispõe de 35 milhões de hecta­res de terra arável, porém, apenas 5% é área cultivada, maioritariamente por camponeses familiares. Neste sentido, os actuais índices de produção de ce­reais continuam deficitários, daí que o país importe a quase totalidade do que consome.

“Se nós quisermos substituir as impor­tações temos de aumentar as áreas de produção, pelo menos em 1.400.000 hec­tares. E precisamos de ter, para que a produção seja razoável, à volta de 500 mil toneladas de fertilizantes e cerca de 100.000 toneladas de azotados”, defendeu o agrónomo José Bettencourt.

No caso do milho, o défice nacional é de quase dois milhões de toneladas, ao pas­so que 100% do trigo consumido no país é importado. “Infelizmente, importamos farinha de trigo quando poderíamos im­portar grãos, o que nos permitiria valo­rizar a produção nacional, aproveitando os derivados do trigo para ração e crian­do mais empregos”, aponta ainda José Bettencourt, que informou que o défice de arroz corresponde à quase totalidade do consumo interno.

Segundo a Organização das Nações Uni­das para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), as perspectivas para a produção mundial de cereais me­lhoraram desde Maio. Porém, a produ­ção prevista para este ano ainda poderá ficar aquém do nível alcançado 2017 e das necessidades de consumo previstas para 2018/19.

Num comunicado divulgado no seu por­tal, a FAO estima que os stocks mundiais de cereais venham a baixar, uma que­da impulsionada principalmente pelo milho, tendo em conta que as reservas de trigo e arroz tendem a aumentar. Em 2018, prevê-se uma produção mundial de cereais de 2.610 milhões de tonela­das, três milhões de toneladas acima da projecção preliminar feita em Maio. No entanto, a este nível, a produção global ainda deverá cair 40,6 milhões de tone­ladas (1,5%) anualmente.

Já a produção mundial de trigo está pre­vista em 754,1milhões de toneladas, após uma revisão em alta de 7,5 milhões de to­neladas em Junho. O aumento está prin­cipalmente relacionado com a Argenti­na, bem como com o Canadá e os Estados Unidos, onde melhores condições climá­ticas impulsionaram as perspectivas da FAO. Estimativas oficiais recentes da Ín­dia também apontam para uma produ­ção acima do esperado, impulsionando ainda mais as perspectivas de produção global de trigo.

A produção mundial de milho em 2018, por sua vez, foi ligeiramente reduzida para 1.046 milhões de toneladas, com grandes revisões para baixo na China, reflectindo as contracções da área à me­dida que os agricultores mudam para culturas mais lucrativas, e no Brasil, onde a continuidade do tempo seco está prevista para conter plantações e co­lheitas da segunda safra.

Em Maio, a projecção da Organização das Nações Unidades para a Alimenta­ção e Agricultura apontava um aumento de 0,7 milhões de toneladas na produção mundial de arroz, para 511,3 milhões de toneladas, 1,3% acima da alta histórica de 2017. A revisão, esclarece a FAO no seu comunicado, reflecte principalmen­te as melhores perspectivas para a Índia, consistentes com as estimativas oficiais mais altas para a produção do país em 2017.

Leia mais na edição de Julho de 2018.

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