3
1

Sem florestas não haverá água

“Sem florestas não haverá água, é essa a consciência que precisamos de ter”. É uma afirmação de Sebastião Salgado, fotógrafo e activista ambiental, premiado internacionalmente.

1
2
Fotografia
:
Carlos Aguiar

O elemento mais importante na preservação do potencial hídrico tem a ver com a preservação da floresta. Quem vai de avião para o sul de Angola não fica indiferente ao ver a progressão registada no processo de desertificação provocado pela desmatação desenfreada e pelas queimadas. As amplitudes térmicas aumentaram e as chuvas já não têm a regularidade do passado. Por isso os recursos hídricos de Angola correm o risco de declínio, decorrente desse processo erosivo que se estende de sul para norte, já que os principais rios de Angola nascem no planalto central.

O sistema produtor de energia eléctrica está muito baseado no rio Kwanza, cujo potencial hidroeléctrico é estimado em 7 GW. Mas é preciso clarificar que o potencial garantido é bem inferior a esse valor, por causa do “factor de capacidade”, um parâmetro que se obtém dividindo a energia disponibilizada, pela energia máxima que pode ser produzida. Esse factor tem a ver com a hidrologia do rio, paragens para manutenção e perfil de carga, sendo o mais importante a regularidade do caudal do rio.

A informação disponível indica que o caudal do rio Kwanza tem uma grande amplitude, podendo variar entre 100 e 3600 m3/s. E quanto maior for a degradação nessas bacias, mais gravosos e frequentes serão os períodos de estiagem, degradando assim o factor de capacidade do conjunto dos seus aproveitamentos hidroeléctricos.

A orografia angolana não é muito propícia a grandes reservatórios, como o lago Volta, no Gana, o lago Kariba e a albufeira de Cahora Bassa, ambos no rio Zambeze. Os reservatórios, previstos no rio Kwanza, no seu conjunto, não ultrapassarão os 10 Km3. Não sendo possível armazenar água em grandes reservatórios artificiais, é necessário assegurar o seu armazenamento nos reservatórios naturais, que são os aquíferos. E isso só é possível com floresta.

Em conclusão, a preservação do potencial hidroeléctrico do rio Kwanza exige um plano de preservação das suas bacias hidrográficas, sem o que o forte investimento nos aproveitamentos hidroeléctricos ficará seriamente comprometido num futuro não muito longínquo.

Leia o artigo completo na edição de Abril, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

There will be no water without forests

"Without forests there will be no water; this is the level of awareness we need to have”, state Sebastião Salgado, an international award-winning photographer and environmental activist, and it is the motto for this note.

The most important element in the preservation of the water potential has to do with the preservation of the forests. Those who fly to the south of Angola are not indifferent when they see the progress of the desertification process caused by unrestrained deforestation and fires. The thermal amplitudes have increased, and the rains are no longer as regular as in the past. For this reason, Angola's water resources are at risk of decline, due to this erosion, from south to north, since Angola's main rivers are born in the central plateau.

The system that produces electricity is heavily based on the Kwanza River, whose hydroelectric potential is estimated at 7 GW. But it is necessary to clarify that the guaranteed potential is well below this value, because of the “capacity factor”, a parameter secured by dividing the available energy by the maximum energy that can be produced. This factor has to do with the river hydrology, maintenance shutdown and loading profile, where the river flow consistency is the most important aspect.

The available information indicates that the flow of the Kwanza River has a great amplitude, which can vary between 100 and 3600 m3 / s. And the greater the degradation in these basins, the more severe and frequent the periods of drought will be; it, therefore, degrades the entire hydroelectric power station.

Angolan orography is not so suitable for large reservoirs, as the Lake Volta, in Ghana, and both Lake Kariba and the Cahora Bassa dam, in the Zambezi River. The reservoirs on the Kwanza River, as a whole, would not exceed 10 km3. Given that it is not possible to store water in large artificial reservoirs, it is necessary to ensure the storage within natural reservoirs, known as aquifers. This is only possible with forest.

In conclusion, the preservation of the hydroelectric potential of the Kwanza River requires a plan aimed at keeping its hydrographic basins, without which the heavy investment in hydroelectric projects will be seriously compromised in a not-too-distant future.

Read the full article in the April issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

7
Assine a Revista Digital - Economia & MercadoAssine a Revista Digital - Economia & Mercado