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TAAG: Mudanças e (In) certezas

Finalmente, aconteceu o que já muito, nesta revista, escrevíamos como necessário. A TAAG ter uma gestão profissional.

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Nuno Fernandes
Fotografia
:
Carlos Aguiar
Nuno Fernandes

Trata-se de uma gestão que, respeitando os interesses do Estado (o maior dele é retirar a empresa do vermelho e torná-la lucrativa) conheça o sector e goze de independência na governação da companhia. Pessoalmente, nunca partilhei da fórmula de que a solução seria a de submeter a companhia à gestão de terceiras como aconteceu com a Emirates. É misturar o David e o Golias, com os resultados já expectáveis que todos lamentámos. Ir ao mercado mundial, à Indústria, procurar e seleccionar um gestor de reconhecida competência e permitir-lhe constituir uma equipa de trabalho composta por especialistas nas mais diversas áreas ter-nos-ia permitido encurtar tempo e ganhar dinheiro.

É falacioso e populista qualquer argumento que se levante contra eventuais altos salários. Se os resultados da gestão trouxerem lucros, organização e posicionamento, a discussão dos salários não passa de retórica de baixo valor. O Estado deve dar garantias de se abster da gestão comercial da companhia. Pode pedir-lhe que tenha um papel social nos voos domésticos, mas não deve imiscuir-se na política comercial da companhia. Sobre a qualidade do corpo de gestores agora escolhidos, nada podemos comentar, por não conhecermos com profundidade, na sua maioria, o seu curriculum, exceptuando o de um quadro que já exerceu, com competência, funções comerciais durante a gestão da EMIRATES, e que foi alvo de uma decisão arbitrária muito pouco decente. A administradora jurista reconduzida é um quadro antigo da empresa, não se lhe negando competência.  

Fui um funcionário da companhia e tenho-a na mais alta estima, tal como centenas de outros que deram o seu melhor enquanto seus profissionais. Refiro-me aos que já saíram e a uns tantos que ainda lá estão. Todos nós nos revemos numa companhia aérea de bandeira que nos orgulhe e nos represente e seja saudável e rentável. Sendo estatal, pode ser lucrativa se bem gerida e se o proprietário souber qual o seu papel.  Perguntemos aos etíopes como o fizeram e fazem. É uma experiência e uma história interessantes. Ouvir e estudar experiências de sucesso só nos pode ser útil.  Geridos por gente de fora, desde que devidamente qualificada, não nos abocanha o sentimento nacional. A Emirates é um exemplo gritante. Estudemo-la!   Quanto à prometida privatização, por favor, abandonem essa ideia peregrina e permitam que uma gestão profissional, aglutinando os quadros angolanos de valor, faça o seu caminho, livre de pressões e intervenções externas suicidas e subjectivas.

Leia o artigo completo na edição de Dezembro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

TAAG: Changes and (Un)certainties

Finally, what we have long written about in this magazine as necessary has come to pass. TAAG has to have professional management. A management that, while respecting the interests of the State (the main one being to take the company out of the red and make it profitable) knows the sector and can govern the company independently. Personally, I have never supported the idea that the solution was to put the company under third-party management, as happened with Emirates. It was pitting David against Goliath, with regrettable results. Going to the world market, to the Industry, seeking and selecting a manager of recognized competence and allowing him, her or they to build a work team of specialists in the most diverse areas would have allowed us to shorten time and make money.

Any argument raised about possible high salaries is fallacious and populist. If the results of the management bring profits, organization, and positioning, the discussion of salaries is nothing but low-value rhetoric. The state must give guarantees that it will abstain from the commercial management of the company. It can ask it to play a social role in domestic flights, but it should not meddle in the company’s commercial policy. On the quality of the management team that has now been chosen we cannot comment. We do not know, in depth, the trajectory of their careers, excepting one member, who already held a position in commercial functions during EMIRATES’ management, and who was the target an unfair arbitrary decision. The reappointed head of the legal department is a longtime employee known for her competence.

I was an employee of the company and hold it in the highest esteem, as do hundreds of others who gave their best as its professionals. I mean those who have left and those who are still there. We all want a national carrier that makes us proud and represents us, and that is healthy and profitable. Being state-owned, it can be profitable if well managed and if the owner knows what its role is. Let’s ask the Ethiopians how they did and do it. It is an interesting experience and story. Hearing and studying successful experiences can only be useful to us. Expatriate management, as long as properly qualified, does not overwhelm our national sentiment. Emirates is a glaring example. Let's study it! As for the promised privatization, please, abandon this form of peculiar madness and allow a professional management, that congregates valuable Angolan staff, to make its way, free from external suicidal and subjective pressures and interventions.

Read the full article in the December issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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