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Um discurso cheio de nada

Recentemente, o Presidente da República João Manuel Gonçalves Loureço proferiu o discurso do Estado da Nação. Um discurso que é especial por ser o último do seu governo que começou em 2017.

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Fotografia
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DR

Um discurso fraco, que revela um PR que prefere jogar no seguro, falar de tudo, em vez de focar em três ou quatro pontos de destaque. Enfim, o discurso de João Lourenço não aqueceu nem arrefeceu. Falou de tudo, mas disse nada sobre qualquer coisa.

É que o PR limitou-se em fazer uma espécie de leitura de um relatório, com umas e outras comparações, como no sector das energias e na economia, em que, soube-se, os megawatts e os défices, foram melhores que do ano anterior. Nada mais que isso. Não trouxe emoção. Não transmitiu esperança, nem quando falou da COVID-19 que nas entrelinhas percebeu-se, atrapalhou a governação.

Das poucas verdadeiras ideias no longo discurso, o saltou esta: “Assimetria combate-se com poder local”. Uma ideia forte, interessante, mas no mínimo incompleta. É que não basta a institucionalização do poder local, são necessárias estratégias e materialização de boas políticas públicas.

O discurso foi tão longo, que teve espaço para tudo, inclusive mentiras, ou, para que não seja tão ofensivo, inverdades. Numa das passagens, o PR referiu que graças a boa gestão, a Moody’s reviu em alta a notação de risco de Angola. O que é no mínimo, (e esse mínimo com todo exagero) uma inverdade, já que, no centro da revisão positiva de Caa1 para B3 assenta fundamentalmente a subida e relativa estabilização do preço do petróleo, principal fonte de receita do país.

Outra (no mínimo) inverdade, foi relacionada as transações cambiais que na visão do PR “tornaram-se mais seguras e previsíveis”. Não sesabe em que dados se fundamentou a afirmação, mas é caso para dizer, cada um vê o país com os olhos que tem.

Em meio a tanta coisa, finalmente uma boa verdade, “desde Novembro de 2020 que o kwanza está estável”, disse. E é verdade. O kwanza não está fortecomo devia ou queríamos, mas sim, desde já algum tempo, que está bem mais estável.

Enfim, esse é o «filme» de um discurso que ficou limitado em trazer dados. Explicar o que foi feito, o que será feito. Uma estratégia que como referimos acima, revela a posição defensiva, o jogar no seguro, sim, foi um discurso que descreveu o Estado da Nação, mas não tocou, não mostrou as ideias do PR para nos tirar da situação de aperto. É que como que um pai que tem sempre soluções, esperamos do PR soluções para os nossos problemas, mas não, neste e em todos até aqui, JLO trouxe-nos um discurso cheio de nada.

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