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Um sector que vive à custa do “Não-Vida”

A discrepância entre os ramos “Vida” e “Não-Vida” no sector dos seguros traduz a necessidade de um maior trabalho para aumentar a penetração dos serviços no mercado.

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Fotografia
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ISTOCKPHOTO

O ramo “Não-Vida” representou, em 2020, 97,55% do total de volume de Prémios Brutos Emitidos (PBE’s), ficando os restantes 2,4% para o ramo “Vida”. Para o director-executivo da Associação das Seguradoras de Angola (ASAN), os números fazem perceber que ainda há muito trabalho por ser feito, no sentido de popularizar ou tornar atractivos os seguros de vida, que actualmente andam a reboque dos créditos.

“A ASAN e a ARSEG conseguiram junto da AGT negociar incentivos fiscais para os seguros de vida de capitalização de reforma. Esse diploma, que deve ser aprovado em breve, vai, certamente, ajudar a tornar mais atractivos os seguros de vida e aumentar o leque de potenciais clientes para as seguradoras que por agora só têm umas poucas empresas que fazem seguro de vida para os seus colaboradores e umas poucas pessoas que as contratam por conta de um crédito bancário”, afirmou José Araújo.

Ainda de acordo com fonte, até Dezembro de 2020, no ramo “Não-Vida”, os segmentos Saúde (39,73%) e Petroquímica (19,07%) tiveram maior peso no mercado. No que aos prémios processados pelas seguradoras diz respeito, a evolução é, como fez saber o responsável da ASAN, muito boa, tendo registado mais de 100% de 2016 a 2020.

Os resultados mantêm-se muito concentrados no ramo “Não-Vida. Conforme o relatório da ARSEG, referente a 2019, 55,63% dos prémios de seguros directos provinham dos ramos Acidentes, Doenças e Viagens. Este desempenho, quando comparado aos dois últimos resultados, de 2017 (52,37%) e 2018 (53,86%), representa uma tendência de ganhos relativamente estáveis, mas poderá reflectir sobre dois factos fundamentais. Primeiro, o facto de o país apresentar condições sanitárias desafiantes que demandam uma procura considerável por parte de empresas e pessoas individuais, de seguros que cobrem os riscos associados. Segundo, a redução a que se tem assistido em dois dos outros principais ramos, Seguro Automóvel e da Petroquímica, o que poderá ser reflexo da queda das vendas de automóveis e da desaceleração nos níveis de investimento e de produção do sector petrolífero em Angola.

Paralelamente, este resultado poderá ser reflexo da fraca profundidade do sector em Angola e apresentar-se como um potencial entrave ao seu desenvolvimento, o que obriga uma melhor estratégia de investimento destas instituições em activos com prazos com maturidades mais dilatados. Acresça-se, entretanto, que, a nível de indemnizações das seguradoras para com os seus clientes, os ramos Acidentes, Doenças e Viagens, em 2019, concentraram perto de 80,39% do total das indemnizações.

Este desempenho, quando comparado ao ano de 2017 (55,18%), representa um aumento de 25,21 p.p.. Por outro lado, o rácio das indemnizações sobre os prémios captados, no período em referência, tem registado um aumento, o que é reflexo do incremento do nível de sinistralidade acima das capacidades de captação de novos clientes, um padrão que, além de penalizar os níveis de rentabilidade do sector, poderá reflectir sobre um relativo incremento dos riscos morais na economia.

Sobre as sinistralidades, José Araújo, director-executivo da ASAN, disse que quanto menor a taxa de sinistralidade, melhor, porque indica que menos indemnizações foram pagas. No que à gestão dos seguros e às taxas de sinistralidade diz respeito, há uma verdadeira dispersão das taxas, muito em função da carteira e estratégia de cada seguradora. O destaque vai para a Nossa Seguros que, apesar do já grande volume de negócios, consegue manter a taxa de sinistralidade abaixo da média global.

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A sector that lives at the expense of “Non Life”

The discrepancy between “Life” and “Non Life” branches in the insurance sector reflects the need for further work to increase the penetration of services in the market.

“Non Life” branch represented, in 2020, 97,55% of the total volume of de Gross Premium Written (GPW’s), with the remaining 2,4% going to the “Life” branch. For the Executive Director of the Association of Insurance Companies of Angola (ASAN), the figures make it clear that there is still a lot of work to be done to popularize life insurance or to make it attractive, which currently trails behind credits.

“ASAN and ARSEG managed to negotiate with AGT tax incentives for retirement capitalization life insurance. This law, which should be approved soon, will certainly help make life insurance more attractive and increase the range of potential customers for insurance, which for now only have a few companies that provide life insurance for their employees and a few people who secure them through a bank loan”, said José Araújo.

According to the same source, as of December 2020, the “Non-Life” branch, the Heath (39,73%) and Petrochemical (19,07%) segments, had the greatest weight in the market. As regards the premiums processed by the insurers, according to the head of ASAN, the evolution is very good, eith a progress of more than 100% from 2016 to 2020.

The results remain very much concentrated on the non-life branch. According to the ARSEG report for 2019, 55,63% of direct insurance premiums came from the Accident, Illness, and Travel branches. This performance, when compared to the last two results, from 2017 (52,37%) and 2018 (53,86%), represents a relatively stable earnings trend, but it may reflect two key facts. First, the fact that the country has challenging health conditions leading to high demand from companies and individuals seeking for insurance that covers the associated risks. Second, the reduction seen in two of the other main branches, Automobile Insurance and Petrochemicals Insurance, which may be a reflection of the drop in car sales and a slowdown in investment and production levels across the Angolan oil sector.

At the same time, this result may reflect the shallow depth of the sector in Angola, which could be a potential barrier to its development, requiring therefore that these institutions adopt a better investment strategy in assets with longer maturities. It is also worth noting that in terms of compensation by insurers to their customers, in 2019, the Accidents, Illness and Travel sectors accounted for nearly 80,39% of the total compensation.

This performance, when compared to 2017 (55,18%), represents an increase of 25,21 p.p.. On the other hand, the ratio of indemnity over earned premiums, in the period under consideration, has been increasing, which is a reflection of the increase in the level of accidents, above the capacity to attract new customers; this is a pattern that, in addition to penalizing the profitability levels of the sector, it may reflect a relative increase of the moral risks to the economy.

On the accident rates, José Araújo, Executive Director of ASAN, said that the lower the accident rate, the better, because it indicates that fewer claims were paid. As far as management of insurance and accident rates are concerned, there is a real dispersion of the rates, mainly due to the portfolio and strategy of each insurer. Emphasis is given to Nossa Seguros, which despite its already large business volume, the insurer manages to keep its accident rates below the global average.

Read the full article in the Setember issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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