3
1

A língua na banca

Uma das ferramentas de trabalho mais importantes da banca é a “comunicação”, que se processa, em via directa, pela linguagem verbal...

1
2
Fotografia
:
DR

No pretérito dia 5 de Maio, assinalou-se o Dia Internacional da Língua Portuguesa. As celebrações da efeméride produziram uma ressonância sem precedentes na esfera académica angolana e nos media, sobretudo, no que respeita à discussão sobre a pertinência deste sistema franco nas operações culturais, sócio-políticas e económicas internas, em Angola, bem como nas esferas do espaço lusófono.

A língua é um importante instrumento da diplomacia. Analogamente, a língua é das principais armas do Compliance, daí que, paralelamente ao discurso de apropriação linguística do português, bem como à necessidade de se analisar e descrever o português angolano, quer para a definição dos seus limites de caracterização e distinção da norma do português europeu, por um lado, quer para o enriquecimento da gramática universal do português, por outro, surgiu-nos a ideia de trazermos à baila uma reflexão sobre a pertinência do bom uso da língua na banca.

Defendemos o pressuposto de que a língua é uma estrutura “bancária” do ponto de vista cultural. Considerando que toda a actividade do sector bancário está naturalmente condicionada à operacionalização linguística, os profissionais bancários estão naturalmente condenados a sofisticar o seu nível de operacionalização linguística para o bem da sua actividade comercial.

Esta reflexão que, à vista desarmada, pode parecer trivial não a será, se entendermos e reconhecermos o impacto do rigor linguístico na actividade bancária. Uma das ferramentas de trabalho mais importantes da banca é a “comunicação”, que se processa, em via directa, pela linguagem verbal, oral ou escrita (cartas formais, correspondências por correio electrónico, anúncios, etc.), e, em segundo plano ou em associação, pela linguagem não verbal (expressão corporal como suporte do discurso linguístico, imagens, desenhos, etc.).

Diante disto, pensamos que se impõe considerar uma revisão da postura comunicativa de toda a estrutura bancária no contexto actual, visando a previsão dos efeitos retroactivos do rigor linguístico na actividade produtiva das organizações.

... dominar as estruturas da língua, seja para uso corrente no âmbito da actividade laboral, seja para fins específicos é, seguramente, uma carta abonatória ao prestígio organizacional.

A dimensão comunicativa da organização é um mecanismo de imagem, que joga um papel fundamental no impacto da comunicação interna e externa de qualquer organização. Cada palavra, som, imagem produzida e difundida em sede organizacional, ou fora dela, mas com associação a ela, diz muito sobre o que a organização é.

Portanto, dominar as estruturas da língua, seja para uso corrente no âmbito da actividade laboral, seja para fins específicos é, seguramente, uma carta abonatória ao prestígio organizacional. Podíamos ir mais longe: o domínio e bom uso da língua em contexto organizacional é uma variável importante para a criação de uma imagem de marca do profissional bancário; quem melhor se comunica, melhor vende a sua imagem e, por conseguinte, o seu produto.

Assim, a excelência dos nossos serviços passa fundamentalmente pela forma como nos comunicamos. Deste modo, torna-se urgente primarmos pela clareza, simplicidade e precisão na planificação, organização, difusão e manutenção de toda a comunicação interna e externa, acautelando o impacto da nossa abordagem linguística na qualidade da nossa actuação como profissionais do sector bancário.

Cumpre-nos, assim, recomendar o exercício constante de observação das normas da língua-padrão. Para o efeito, recomendamos a constante leitura de textos diversos, feitos em português corrente, cuidado, literário ou técnico-científico. Ler e aplicar o que lemos aperfeiçoa o nosso discurso pessoal e, consequentemente aperfeiçoa a nossa capacidade de leitura dos fenómenos comunicativos que ocorrem na banca, produzindo-lhes respostas que salvaguardem o interesse organizacional, bem como satisfaçam e conquistem permanentemente o cliente e o mercado.

7
Assine a Revista Digital - Economia & MercadoAssine a Revista Digital - Economia & Mercado