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A nova teoria da relatividade

Sebastião Vemba
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Foto:
Carlos Aguiar

Há quase dois anos do surgimento da Covid-19, cujos impactos se farão sentir nas economias e nas famílias, por largos anos, as perspectivas de recuperação económica são relativamente animadoras.

Os desafios reais, entretanto, mantêm-se, principalmente ao nível da melhoria das condições sócio-económicas dos mais vulneráveis que, por sinal, mais se ressentem da devastação causada pela pandemia que agudizou, há quem diria relativamente, a pobreza e a fome.

O Fundo Monetário Internacional prevê que a África Subsariana cresça 3,8% em 2022, uma recuperação apoiada por condições externas favoráveis no comércio e nos preços das matérias-primas. Essa previsão também resulta da melhoria das colheitas e do aumento da produção agrícola em vários países, daí que a fome passou a ser relativa, pelo menos em Angola, onde a população deixou de ter poder de compra suficiente – por razões alheias a quem gere a economia e o país - para adquirir os produtos locais que combatem a importação. E, por isso, a fome é relativa, independentemente do número de angolanos nessa condição, sem capacidade de ingerir a quantidade de calorias necessárias para manter o corpo activo e saudável. Digamos que também é relativa a desigualdade criada pela pandemia da Covid-19, que lançou, segundo o FMI, pelo menos 30 milhões de pessoas, em todo o mundo, de volta à pobreza extrema, agravando a disparidade não apenas entre os grupos de rendimento, mas também entre e dentro das regiões geográficas subnacionais. Mas, será compreensível que quem esteja no grupo menos afectado seja sensível à desgraça alheia, principalmente quando lhe é reservada a responsabilidade de solucionar os problemas dos desafortunados? Diríamos que é relativo…

Mas enquanto discutimos a teoria da relatividade, da fome, da pobreza, da corrupção, da incompetência ou do que quer que seja, assiste-se, pavidamente, à queda dos rendimentos e à subida dos preços dos produtos alimentares, um binómio perfeito para “acelerar a erosão dos ganhos passados em termos de redução da pobreza, melhores condições de saúde e maior segurança alimentar”, aponta o FMI.

Leia o artigo completo na edição de Janeiro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

The new theory of relativity  

Almost two years after the outbreak of the Covid-19 pandemic, the impact of which will be felt in the economies and, consequently, in families for many years to come, the prospects for economic recovery are becoming relatively encouraging. However, the real challenges remain, especially in terms of improving the socio-economic conditions of the most vulnerable people, who suffer the most from the devastation caused by a pandemic that has worsened, some would say relatively, poverty and hunger.

The International Monetary Fund forecasts that sub-Saharan Africa will grow by 3.8% in 2022, a recovery supported by favorable external conditions in trade and commodity prices. This forecast also results from improved harvests and increased agricultural production in several countries, and that is why hunger has become relative. At least that is the case in Angola, where the population no longer has sufficient purchasing power - for reasons unrelated to those who run the economy and the country - to buy the local products that are supposed to replace imports. And so, hunger is relative, regardless of the number of starving Angolans who are unable to ingest the necessary amount of calories to keep the body active and healthy. Maybe we should also regard as relative the inequality created by the Covid-19 pandemic, which, according to the IMF, has thrown about 30 million people around the world back into extreme poverty, thus worsening the disparity not only between income groups, but also between and within subnational geographic regions. But is it understandable that those in the least affected group be sensitive to the misfortune of others, especially when they have the responsibility of solving the problems of the less fortunate? We would say that it is relative…

But while we discuss the theory of relativity, hunger, poverty, corruption, incompetence, or whatever, we are witnessing steadily falling incomes and rising food prices, a perfect combination to "accelerate the erosion of past gains in poverty reduction, improved health, and greater food security," the IMF points out.

Read the full article in the January issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).