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A semente não pode chegar depois do período da sementeira

As explorações agrícolas familiares representam actualmente 91% do total da produção nacional, de acordo com dados do relatório da campanha agrícola 2018/2019.

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Fotografia
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Carlos Aguiar

Anderson Renato de Brito Jerónimo, director do Gabinete de Estudos, Pesquisas e Estatística (GEPE) do Ministério da Agricultura e Florestas, disse, em entrevista à Economia & Mercado, que as metas preconizadas para a produção nacional, nas diferentes fileiras, não foram cumpridas durante a campanha agrícola, por isso, detalha as razões aparentes do fracasso do sector.

Como caracteriza o estado actual da agricultura em Angola?


É um sector que se encontra cada vez mais dinâmico, os operadores crescem a cada dia, tanto ao nível da agricultura familiar, como na empresarial, havendo cada vez mais empresários que acreditam no negócio Agrícola. Mas também é importante sublinhar que se trata de um sector que apresenta muitos desafios, desde logo pelo próprio contexto económico do país. Há o desafio de ter em tempo oportuno no país os factores de produção, pois a maior parte dos produtos ainda é importada. Estamos a falar de semestres, fertilizantes, equipamentos de irrigação, vacina animal e outros elementos que são necessários. Contudo, é um sector que se apresenta cada vez mais como alternativa. É o maior empregador. Repare, a título de exemplo, que só a agricultura familiar absorve uma mão-de-obra de 2,8 milhões de famílias. Cerca de 46% da actividade produtiva em Angola é feita pela agricultura e pecuária e alguma parte florestal. É, portanto, um sector que se apresenta cada vez mais crucial, até porque tem o desafio de alimentar a população e reduzir as importações.

Qual é o peso da agricultura familiar em relação à empresarial, em termos percentuais?


As explorações agrícolas familiares representam actualmente 91% da produção nacional. São dados que constam do relatório da campanha agrícola 2018/2019. Em relação à campanha anterior, notámos um dinamismo na actividade empresarial mas, ainda assim, a agricultura familiar continua muito à frente. Importa referi que, ao nível do Ministério da Agricultura e Florestas, temos registados 8.600 empresas agrícolas e deste número apenas 308 é que produziram efectivamente na campanha 2018/2019.

Que factores concorreram para a redução da produção nacional na campanha agrícola de 2018/2019?


Primeiro é preciso clarificar que os números em relação ao ano anterior foram quase inalterados, e, nalguns casos, com ligeiros acréscimos. O que diz o relatório da campanha agrícola é que as metas preconizadas para a produção nacional, nas diferentes fileiras, não foram cumpridas. Foram vários factores que concorreram para tal, um deles foi a fraca assistência técnica aos produtores da agricultura familiar. O outro foi a disponibilidade dos factores de produção no tempo certo e, por último, o clima, factor importante para a actividade agrícola. No período em análise, o país registou, principalmente nas regiões centro sul, secas severas e moderadas, bem como irregularidades no comportamento das chuvas que afectaram a produção. Contudo, conseguimos garantir os factores de produção, não nas quantidades necessárias, mas conseguimos dentro das disponibilidades dos recursos financeiros que o Governo disponibilizou.

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