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Negócios com Angola em tempos de crise

Com a crise do petróleo, em 2011, Angola assumiu ainda mais importância para os investidores portugueses. Tendo sido para muitas empresas uma verdadeira tábua de salvação.

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Angola sempre foi um importantíssimo parceiro de negócios. Temos uma relação sujeita a vicissitudes que foram sendo superadas, com maiores ou menores dificuldades, ao longo dos anos.

Com o fim da guerra civil, houve um desígnio de reconstrução nacional e a economia angolana prosperou assente no preço do petróleo, que na altura atingia valores que permitiam ter uma economia aparentemente forte e em crescimento de cerca de dois dígitos ao ano.

Portugal beneficiou, em grande escala, com este crescimento. Empresas portuguesas, sobretudo na área da construção civil, garantiram nessa altura, enormes empreitadas, de largos milhões de dólares.  Mesmo sofrendo com a burocracia, certamente herdada dos portugueses, o dinheiro circulava com normalidade.

Angola passou a ser um dos nossos maiores investidores, fazendo vibrar o mercado e tendo representantes accionistas em quase todos os pontos do tecido empresarial português: banca, telecomunicações e indústria, entre outros.

Com a crise do petróleo, em 2011, Angola assumiu ainda mais importância para os investidores portugueses. Tendo sido para muitas empresas uma verdadeira tábua de salvação. Enquanto a Europa flutuava entre crises e fracas recuperações económicas, a economia angolana crescia como nunca. Em consequência disso muitos negócios angolanos entraram também em Portugal. Angola passou a ser um dos nossos maiores investidores, fazendo vibrar o mercado e tendo representantes accionistas em quase todos os pontos do tecido empresarial português: banca, telecomunicações e indústria, entre outros.

Por sua vez, a maior parte das empresas portuguesas que conseguiram manter-se à tona durante a crise de 2011, prolongaram no tempo os seus negócios com Angola, mesmo recebendo em moeda local, devido à enorme escassez de divisas nos cofres do Governo angolano. Tendo isto gerado inúmeras dificuldades aos investidores de então que deixaram de conseguir obter divisas.

A mudança de regime político volta agora a credibilizar a economia angolana e neste momento o clima volta a ser de esperança na retoma económica. Provavelmente não iremos voltar aos números de antigamente, mas continuará a ser um mercado preferencial para as empresas portuguesas que se mantiveram em Angola, durante os períodos mais difíceis.  

E é agora que a incerteza se volta a instalar sob a forma de vírus que as parcerias se tornam essenciais, assim como a oportunidade de intensificar a nossa presença num mercado que conhecemos e para onde podemos exportar o nosso melhor produto: Know-how.

*Manuel Cota Dias é Partner Grupo Your e responsável pela actividade do Grupo em Angola.

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