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Optimismo desmedido

Um ano depois do registo dos primeiros casos de Covid-19 em Angola, a situação socioeconómica do país é delicada.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Embora se reconheça a precariedade em que nos encontramos, em vários aspectos, o discurso de quem governa continua a ser de algum optimismo – nalguns casos excessivo - e de negação de uma realidade que nos remete para o acentuar da pobreza no seio das famílias. O ano económico de 2020 foi, para Angola, a continuidade do ciclo de recessão que se vem registando desde 2016, ao confirmar-se um recuo de 4%, uma situação agravada pelo período de confinamento domiciliar, que teve impacto significativo na produtividade do país, mas serviu para, acredita-se, criar uma estratégia de combate a um novo e até então desconhecido inimigo.

Entretanto, terá havido, sem sombras para dúvidas, uma perda de foco ou desequilíbrio entre as medidas de combate à Covid-19 e as de alívio das suas consequências económicas e sociais nas famílias e nas empresas, que hoje momentos de asfixia e, em alguns casos, navegam à deriva, em meio a uma tempestade, praticamente sem perspectivas de um efectivo virar de página para períodos de maior calmaria e esperança. E essa incerteza agudiza-se ainda mais.

No início de 2021, as previsões apontavam para um crescimento económico de 3,2%, porém, recentemente, o Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o desempenho de Angola, para 0,4%, contra uma revisão em alta da previsão de crescimento para África Subsariana, de 3,2% para 3,4%.

Segundo as previsões dessa organização, em 2022 o país poderá crescer 2,4%, mas abaixo da média da região, voltando depois a crescimentos negativos nos anos seguintes. Acresça-se que, em África, no presente ano, todos os outros países deverão recuperar do crescimento negativo no ano passado, com destaque para Cabo Verde, que viu a sua riqueza contrair-se uns históricos 14% em 2020, mas crescerá quase 6% este ano.

Há um ano do fim do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, e olhando para as principais metas que o Governo se propôs atingir, com base nos números acima, urge, sem sombras para dúvidas, uma redefinição dos objectivos, para que se foque no que é inadiável, como a fome que, actualmente, assola milhões de angolanos...

Leia o artigo completo na edição de Abril, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Excessive optimism

A year after the first Covid-19 cases in Angola, the country's socio-economic situation is delicate. Although we recognize the precariousness we are facing, in various aspects, the discourse of those who rule continues to be one of some optimism - in some cases excessive optimism - and denial of a reality that shows an increase of poverty across the families.

The fiscal year of 2020 was, for Angola, the continuation of the recession cycle that has been underway since 2016, when a 4% decrease was confirmed, a situation exacerbated by the period of home confinement, which had a significant impact on the country's productivity. However, it is believed the situation served to create a strategy to fight a new enemy that was unknown by then.

However, there might have been, certainly, a loss of focus or lack of balance between the measures to fight Covid-19 and those to alleviate economic and social consequences of the disease on families and companies, which today live moments of asphyxiation and, in some cases, were cast adrift, during a storm, with practically no prospect of an effective turning of the page towards periods of greater calm and hope.

And that uncertainty is even getting more and more severe. In the beginning of 2021, the projections pointed to an economic growth of 3.2%. However, recently, the International Monetary Fund revised the performance of Angola downwards, to 0.4%, against an upward review of the growth forecast for Sub-Saharan Africa, from 3.2% to 3.4%.

According to the projections of that organization, in 2022 the country may grow 2.4%, but it will below the region's average, and then return to negative growth in the subsequent years. Additionally, this year, in Africa, all other countries are expected to recover from the negative growth of the last year, especially Cape Verde, whose wealth shrank by 14% in 2020 (an historical level), but it will grow by almost 6% % this year.

One year missing for the end of the National Development Plan (PDN) 2018-2022, and looking at the main goals that the Government has proposed to achieve, based on the figures above, there is an urgent need to redefine the objectives, so that focus is directed on what cannot be postponed, such as the hunger, which currently affects millions of Angolans ...

Read the full article in the April issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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