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Pilhagem em alto-mar

O sector das Pescas pesa apenas 2% no PIB angolano, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística.

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Fotografia
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Carlos Aguiar

A mesma instituição, na sua nota de imprensa que analisa as Contas Nacionais até ao III Trimestre de 2020, revela que, nesse período, a pesca teve uma queda de - 10,2%, contribuindo negativamente em 0,2 pontos percentuais na variação total do PIB, devido, principalmente, à baixa de captura de pescado.

Entretanto, ao mesmo tempo que se regista a queda da contribuição do sector das Pescas no PIB, vêm à tona factos que confirmam a existem de contrabando e pilhagem dos recursos marítimos angolanos, sem que sejam apontados nomes e responsabilizados os culpados. Enquanto isso, Angola, tal como países vizinhos no continente africano, perdem rios de dinheiro. Fala-se, por exemplo, na perda de 10 mil milhões de dólares anuais devido à pilhagem dos recursos marinhos, em África, que dispõe de cerca de 13 milhões de Km2 de território marítimo, mas onde a indústria pesqueira, no cômputo geral, ainda tem longo percurso para desenvolver-se e, efectivamente, contribuir com maior robustez para as economias dos países.

Em Angola, como referimos, os últimos anos têm sido muito maus. Antes do crescimento de cerca de 2,3%, suportados pela indústria salineira, sobretudo, e pela aquicultura, no IV Trimestre de 2020, segundo apurámos junto de fontes do Ministério da Agricultura e Pescas, em 2019 o sector caiu, em termos homólogos, 14%, enquanto as exportações do pescado, em volume, afundaram 91,6%. Contrariamente – e esse é um dado positivo - o consumo de pescado disparou 20,9%. Mas, a desarrumação no sector continua, assim como persistem problemas estruturais, nomeadamente ausência de infra-estruturas básicas, investigação e, extremamente importante, fiscalização, em todos os sentidos. Na ausência desses pilares, sem sombras para dúvidas que a pilhagem em alto-mar, ou em terra, continuará, representando perdas incalculáveis para o país e as futuras gerações.

Leia o artigo completo na edição de Julho, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Plundering on the high seas

The Fisheries sector weighs only 2% in the Angolan GDP, according to data from the National Institute of Statistics. The same institution, in its press release analyzing the National Accounts as of the 3rd Quarter of 2020, reveals that during this period, fishing had a drop of -10.2%, contributing negatively by 0.2 percentage points in the total variation of the GDP, due mainly to the low catch of fish.

However, while the fishing sector's contribution to the GDP is falling, facts are coming to light that confirm the existence of smuggling and plundering of Angola's maritime resources, without the perpetrators being named or held accountable. In the meantime, Angola and other neighboring countries in the African continent lose countless amounts of money. There are reports, for example, indicating a loss of 10 billion dollars annually due to the plundering of maritime resources in Africa, which has about 13 million square kilometers (Km2) of maritime territory, but where the fishing industry still has a long way to go in order to grow and, in fact, contribute more robustly to the economies of the countries.

In Angola, as we have mentioned, the last few years have been very bad. Before the growth of about 2.3%, supported by the salt industry, mainly, and by aquaculture, in the 4th Quarter of 2020, according to our sources at the Ministry of Agriculture and Fisheries, in 2019 the sector fell, in year-on-year terms, by 14%, while fish exports, in volume, sank 91.6%. In contrast - and this is a positive statistic - fish consumption soared 20.9%. But the mess in the sector remains, and structural problems also persist, including a lack of basic infrastructure, research, and, extremely important, supervision, in every sense of the word. In the absence of these pillars, there is no doubt that plundering on the high seas or on land will continue, representing immeasurable losses for the country and for future generations.

Read the full article in the July issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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