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Uma questão de soberania

Angola produz 45% dos cereais consumidos no país, importando o restante, mesmo num contexto de dificuldades de acesso às divisas, como tem sido registado nos últimos quatro anos.

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estimou, em Novembro do ano passado, que cerca de sete milhões de angolanos vivem em situação de insegurança alimentar, porquanto não conseguem dispor de um mínimo de três refeições diárias. As razões têm que ver, em parte, com o desemprego, que já supera a taxa de 30% da população, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Entretanto, não temos dúvidas de que também faz parte das razões a elevada dependência do país da importação de produtos alimentares, incluindo agrícolas.

Em contramão com os objectivos de fomento da produção nacional e substituição das importações, Angola continua ainda a gastar fortunas para importar alimentos. Entre Janeiro e Outubro de 2019, o país gastou 1,3 mil milhões de dólares. Por exemplo, o arroz custou aos cofres do Estado 350 milhões de dólares, ao passo que o óleo de palma e farinha de trigo custaram 180 milhões de dólares e 124 milhões de dólares, respectivamente.

No ano passado, apesar da promessa de apoio aos agricultores, com destaque para os familiares, a Campanha Agrícola 2018-2019 resultou em decréscimo em todas das fileiras de produção, segundo o Relatório Preliminar do sector a que a E&M teve acesso. Estes decréscimos, segundo justifica o documento, foram notados tanto nas áreas colhidas como na produção, e em algumas províncias ocorreram fenómenos meteorológicos anormais, que afectaram negativamente o desenvolvimento das culturas,principalmente da fileira dos cerais e das leguminosas.

Conforme apurou a E&M, Angola produz 45% dos cereais consumidos no país, importando o restante, mesmo num contexto de dificuldades de acesso às divisas, como tem sido registado nos últimos quatro anos .E agora, com o risco de agravamento devido à pandemia da Covid-19, cujos impactos na economia global ainda estão por calcular, das dificuldades poderão ser maiores, pois já se sabe que esta crise afectará, de sobremaneira, a balança comercial entre os países. Assim sendo, enquanto país excessivamente dependente das importações, Angola corre o risco de viver escassez de produtos, incluindo de bens alimentares, o que nos faz lembrar, mais uma vez, que a produção local de alimentos é também uma questão de soberania.

Para já, é fundamental, por parte das empresas e dos cidadãos, o cumprimento das medidas tomadas pelo Governo angolano para mitigar o risco de contágio da doença, cujos primeiros casos já foram diagnosticados no país. E é em linha com estas medidas que a Edicenter Publicações Lda suspenderá, a partir desta edição, e por tempo indeterminado, a impressão da revista Economia & Mercado, que estará disponível em formato digital, de forma gratuita, através da app Google Play, pesquisando por Economia & Mercado, e no site www.economiaemercado.co.ao, para que o caro leitor continue a lê-la na comodidade da sua casa.

Leia mais na versão pdf, disponível aqui ou baixe o aplicativo da E&M App Google Play.

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