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África do Sul na encruzilhada de violência e repúdio internacional

Pedro Cardoso
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Foto:

Os ataques xenófobos na África do Sul, em Setembro, provocaram uma catadupa de represálias em países africanos.

Ruanda, República Democrática do Congo, Tanzânia ou Nigéria reagiram com firmeza perante os ataques em Joanesburgo, Cidade do Cabo e Pretória. Em jogo podem estar agora os interesses económicos sul-africanos
 na SADC e em todo o continente.

“Todos os dias vivemos com medo”, atira Amir Sheikh ao repórter do jornal inglês “The Guardian”, num bairro de Joanesburgo. Veio da Somália há 16 anos e tem vindo a assistir à crescente onda violenta e mortal de xenofobia que todos os dias varre a África do Sul.

Na primeira semana de Setembro deste ano, o centro de Joanesburgo e outras partes do país, como a Cidade do Cabo, estalaram uma vez mais em violência contra os imigrantes africanos que ali vivem. Segundo o observatório Xenowatch, do Centro Africano para Migração e Sociedade (ACMS, na sigla em inglês), da Universidade de Witwatersrand, esta vaga de violência resultou na morte de 12 pessoas (dez delas eram sul-africanas), 800 deslocados e mais de 50 lojas de migrantes saqueadas ou destruídas. As vitrinas feitas cacos são espelho de um país onde cerca de 2,2 de estrangeiros suspendem a respiração sempre que estala o caos.


As imagens desses dias são elucidativas, mas vivê-las na pele é outra história, de terror. Salahuddin Abdulhilim é do Bangladesh e vive no Sowetto há 9 anos. O supermercado que tem na cidade foi destruído, conta ao “The Guardian”. “Foi muito assustador... Nós corremos. Eles estavam a vir na nossa direcção com barras de ferro e martelos...

Costumávamos ouvir falar sobre um incidente aqui ou ali, mas agora é constante. As pessoas estão a morrer. Está a piorar cada vez mais. Nós somos um alvo e ninguém quer proteger-nos”. Com medo do que pudesse acontecer, escondeu-se na zona de Mayfair, junto com outros imigrantes em fuga das hordas armadas de facas, cocktails molotov, paus epistolas.

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