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Hotelaria e restauração renascem das “cinzas”

Cláudio Gomes
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Foto:
DR

O volume de negócio da hotelaria e da restauração em Benguela foram afectados em cerca de “um terço”, de acordo com o presidente da associação dos hoteleiros da província de Benguela.

À Economia & Mercado, Jorge Gabriel adiantou que cerca de 30% da força de trabalho terá sido comprometida durante o período mais crítico da pandemia, que só agudizou o que a crise económica e financeira de 2014 tinha abalado.

Segundo o presidente da associação dos hoteleiros de Benguela, a pandemia ditou o encerramento de cerca de oito unidades de referência da província de Benguela, contribuindo para a redução “substancial” do volume de negócio. Apesar deste facto, o também empresário garantiu, por outro lado, que o sector está a reerguer-se das “cinzas” no “novo normal”, tanto é que os operadores de Benguela tencionam atingir a cifra de 5.000.000 de turistas, o que poderá gerar mais de 6.000 novos postos de empregos até 2025.

De acordo com o também representante da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) na província de Benguela, actualmente, assiste-se a uma recuperação de 50% do volume de negócio em comparação ao período anterior a 2014. “Começámos a retomar e a restituir a rede hoteleira no sentido de ocupar a sua posição a nível nacional. As unidades de alojamento já estão melhor em termos de ocupação e os clientes que vêm de fora e que normalmente dão corpo ao nosso negócio, também começam a sentir os ventos da mudança”, disse.

Passados dois anos desde o início da Covid-19, referiu Jorge Gabriel, a rede hoteleira “está estável” somando mais de 26 unidades em termos de alojamento, com cerca de 6.000 camas e uma taxa de ocupação na ordem dos 60 a 80% nos dias normais e 100% nos fins-de-semana prolongados.

No que à restauração diz respeito, o também empresário disse que a província conta com mais 1.500 unidades, entre restaurantes de primeira qualidade e botequins, salientando ser auto-suficiente e que não tem problemas em termos de alimentação.

Para o líder do grémio dos hoteleiros de Benguela, a falta de investimentos impede a entrada de novos operadores, afirmando que neste momento “tudo” relacionado a novos projectos “está parado”.

Igualmente, referiu não haver “grandes motivos para incentivar” a entrada ou o surgimento de novos operadores, atendendo à falta de incentivos ao negócio. “A nossa classe não beneficiou de nada em comparação com as outras”, sublinhou Jorge Gabriel. No seu entender, durante os 45 anos de independência no país, a classe hoteleira “ficou órfã, verdadeira enteada” e por isso, entende que é a altura de se dar mais atenção aos hoteleiros, não só de Benguela, mas do país.

Apesar da orfandade de que se queixa, o responsável disse que a classe mantém-se optimista quanto à sua contribuição no Produto Interno Bruto (PIB). “Todos nós estamos a concorrer para um valor no PIB nacional e pretendemos incluir Benguela como principal colaboradora neste sentido”.

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Hotels and restaurants rise from the “ashes”

The turnover of Benguela's hotels and restaurants was reduced by about "a third", according to the president of the association of hoteliers in the province, who told Economia & Mercado that about 30% of the workforce was impacted during the most critical period of the pandemic, which only worsened what the economic and financial crisis of 2014 had started.

According to Jorge Gabriel, the pandemic forced the closure of about eight prominent hotels in Benguela province, thus contributing to a "substantial" reduction in turnover. Despite this fact, the businessman assured, the sector is rising from the "ashes" in the "new normal", so much so that Benguela operators intend to reach the figure of 5,000,000 tourists, which may generate more than 6,000 new jobs by 2025.

According to Jorge Gabriel, who is also the representative of the Association of Hotels and Resorts of Angola (AHRA) in Benguela province, we are currently seeing a 50% recovery in turnover compared to the period before 2014. "We have begun to resume and restore the hotel network in the country. Accommodation facilities are already doing better in terms of occupancy and customers are also beginning to feel the winds of change," he said.

Two years after the onset of Covid-19, said Jorge Gabriel, the hotel network "is stable" and has more than 26 accommodation units, with about 6,000 beds and a 60-80% occupancy rate on normal days and 100% on long weekends.

As for restaurants, the businessman said that the province has more than 1,500 units, from high-end restaurants to bars, pointing out that the network is self-sufficient and has no problems in terms of food.

For the leader of the Benguela hoteliers association, the lack of investments prevents the entrance of new operators. At this moment "everything" related to new projects "is on standby", he added.

He also said that there are no "great reasons to encourage" the entry or the emergence of new operators, given the lack of business incentives. "Our sector has not benefited from anything compared to the others," Jorge Gabriel told. In his understanding, during the 45 years of independence in the country, the hotel business "was orphaned, a true stepchild" and for this reason he believes that it is time to pay more attention to hoteliers, not only in Benguela, but in the whole country.

Despite the feeling of orphanhood, he said, the sector remains optimistic about its contribution to the Gross Domestic Product (GDP). "All of us are contributing to the national GDP and we intend to make Benguela a major contributor".

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