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2020, um ano para (não) esquecer

Vários actores económicos que operam no mercado nacional consideram 2020 um ano de “grandes revês e para ser esquecido”. Já as perspectivas para 2021 são, na sua maioria, de incertezas.

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Uns optimistas e outros cépticos. É assim que alguns analistas, entre homens de negócios e economistas, encaram o novo ano (2021). Para o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, 2020 foi um ano marcado pelo agravamento de um “desastre” que vinha de anos anteriores, cujas consequências foram, entre outras, o aumento exponencial do desemprego, a desagregação do consumo e a forte carga tributária, sem que houvesse medidas de alívio à Covid-19 verdadeiramente impactantes.

Segundo o empresário, durante o ano 2020, os membros da AIA estimam uma perda de 20 mil postos de trabalho e de quedas de facturação na ordem dos 450 milhões de dólares, descalabro que afectou, maioritariamente, o sector de materiais de construção e o das bebidas.

Olhando para o futuro, José Severino perspectiva que 2021 possa ser um ano de melhoria, argumentando que “quando se desce quase ao fundo do poço, a seguir é ter a certeza de que o ano seguinte será melhor”. Mas, isso só poderá vir a ocorrer a partir do segundo trimestre de 2021, estimou.

“Há um sinal de esperança e de que a agricultura possa crescer”, prognosticou, na expectativa de que, no âmbito da parceria com o Executivo, as propostas da AIA sejam tidas em conta. “Há duas propostas: uma para a construção massiva de habitação social, nada da tipologia de centralidades, e outra para o acerto da política fiscal, para assegurar que o sector de bebidas mude a trajectória deste país”.

Da indústria para o turismo, a Associação das Agências de Viagens de Angola (AAVA) considera 2020 um ano para esquecer. Com o país a receber poucos voos e sem horizonte de quando o cenário vai mudar, a secretária da AAVA, Marcelina Ribeiro, esclarece que a recuperação deste sector está dependente do aumento de voos.

Marcelina Ribeiro sublinhou que as agências estão a viver momentos de muita preocupação, sendo que registam actualmente avultadas despesas com o pessoal e instalações, sem que haja entrada de receitas.

Para a manutenção dos postos de trabalho, algumas agências estão a negociar com os funcionários, reduzindo o tempo de trabalho e salários, segundo a responsável. Em termos de perspectiva, “pinta”, por um lado, um “quadro negro”, mas, por outro, um de esperança, se houver retoma de mais voos.

Leia o artigo completo na edição de Janeiro, jádisponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

2020, a year to (not) forget

Several economic actors operating in the national market consider 2020 a year of “major setbacks and to be forgotten”. The outlook for 2021 is mostly one of uncertainty.

Some optimistic and others skeptical. This is how some analysts, among businessmen and economists, face the new year (2021). For the president of the Industrial Association of Angola (AIA), José Severino, 2020 was a year marked by the worsening of a “disaster” built up from previous years, whose consequences were, among others, the exponential increase in unemployment, the disaggregation of consumption and the strong tax burden without truly impactful relief measures to fend off the effects of Covid-19.

According to the businessman, for 2020, AIA members estimate a loss of 20,000 jobs and a plunge in turnover estimated in US$450 million, a meltdown that mainly affected the construction material and beverage industries.

Looking to the future, José Severino forecasts that 2021 could be a year of improvement, arguing that “when you nearly reach the bottom, you have to make sure that the next year will be better”. But this may only occur in the second quarter of 2021, he estimated.

“There is some hope and agriculture might grow”, he predicted, expecting that, within the partnership with the Executive, AIA’s proposals are taken into account. “There are two proposals: one for the massive construction of social housing, nothing like the typology of the current public housing developments, and another for the adjustment of fiscal policy, to ensure that the beverage sector changes the trajectory of this country”.

From industry to tourism, the Association of Angolan Travel Agencies (AAVA) considers 2020 a year to forget. With the country receiving few flights and no horizon for a change of scenario, AAVA secretary, Marcelina Ribeiro, explains that the recovery of this sector depends on more flights.

She stressed that the agencies are going through times of great concern, registering large expenses with staff and facilities without any revenue inflow. To maintain jobs, some agencies are negotiating with employees, reducing work hours and wages. In terms of outlook, she “paints”, on the one hand, a “grim picture”, and on the other, one of hope, if more flying is resumed.

“Travel agencies have not received state support so far, and if this situation continues in 2021, many may not survive”. She added that 2020 “was disastrous for the sector and the consequences are likely to remain”.

Read the full article in the January issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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