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Cadeia produtiva embrionária retarda avanços no agronegócio

Cláudio Gomes
14/2/2024
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Foto:
ARQUIVO E ISTOCKPHOTO

Angola está longe de se tornar um fornecedor de produtos alimentares de destaque em África, apesar das favoráveis condições edafoclimáticas, localização geográfica privilegiada e uma população jovem.

O desenvolvimento da agricultura está, na opinião de especialistas, preso em um paradoxo entre o aumento da produção e o surgimento da cadeia de valor. A baixa produção não estimula o surgimento de um cluster agro, contudo a ausência do mesmo condiciona o aumento da produção.

Apesar de contar com cerca de 35 milhões de hectares de terras, onde apenas cerca de 17% foram trabalhadas no Ano Agrícola 2022-2023, e de favoráveis condições edafoclimáticas, ou seja, clima, relevo, temperatura, humidade do ar, radiação, tipo de solo, vento, composição atmosférica e precipitação pluvial, Angola continua aquém do seu potencial.

Para que Angola eleve os níveis de produção ao ponto de reduzir significativamente as importações e potenciar as exportações, precisa ter uma indústria transformadora robusta (com destaque para a de embalamento), vias de comunicação, sistemas de transporte, acesso a água e eletricidade, e plataformas logísticas

Para o consultor em agronegócio, António Kamutali, a agricultura tem um papel relevante, a nível social emprega 46% da força de trabalho e representa a principal fonte de rendimento de 90% dos 8,5 milhões de angolanos que vivem em zonas rurais.

Para aumentar a relevância deste sector, o consultor apontou as infra-estruturas de transporte de corrente eléctrica como fundamentais para estimular o surgimento de unidades fabris.

De acordo com o docente universitário, os resultados revelam que o agronegócio angolano tem um desempenho “insatisfatório”, mas acredita que tem potencial para crescer.

“O fraco desempenho do agronegócio angolano deve-se principalmente ao uso de práticas agronómicas inadequadas, entre as quais o escasso uso de tecnologias melhoradas com destaque para o uso insuficiente de sementes melhoradas, fertilizantes, protecção de plantas e tecnologia de irrigação que contribuem para a baixa produtividade”, explicou.

A maioria dos insumos e tecnologias agrícolas são importados, segundo António Kamutali, o que constitui uma barreira quase que intransponível para a maioria dos agricultores familiares e pequenas e médias empresas agrícolas que não têm acesso por conta dos elevados custos.

“A fraca infraestrutura de apoio e a pouca informação de mercado também contribuem para um fraco desempenho. Estas deficiências são ainda agravadas pela baixa capacidade técnica em toda a cadeia de valor, que começa com instituições de assistência técnica e investigação agrícola insuficientes e baixo financiamento dedicado à assistência técnica e à investigação”, realçou.

Contudo, frisou, a estratégia de desenvolvimento do agronegócio de Angola deverá procurar aumentar o abastecimento interno de alimentos, deve ser construída com as contribuições tanto dos pequenos agricultores familiares, como dos agricultores empresariais nacionais e internacionais.

“Deve ser considerado um apoio à agricultura familiar mais eficaz, específico e adequado, que atenda à sua multifuncionalidade e proporcione fonte sustentável de alimentos, mão de obra, desenvolvimento rural e local e representatividade na estrutura do setor agrícola”, afirmou.

Segundo o especialista, o objectivo deveria ser melhorar o funcionamento dos mercados alimentares, através da promoção de um ambiente propício ao investimento privado nacional, centrando-se nas restrições vinculativas ao crescimento da produtividade, e desta forma combater a fome através do aumento da produção per capita.

Para tal, realça a necessidade de se olhar para a inovação e para as mudanças tecnológicas com outros olhos, expandir as culturas irrigadas e reduzir a importação de alimentos.

Por outro lado, frisou, precisa de melhorar a coordenação entre os diferentes actores da cadeia de valor. “Entendo que isso teria impacto directo na inclusão dos pequenos agricultores na produção para o mercado formal, facilidade no acesso ao conhecimento e trocas de experiências, adopção de tecnologia por parte dos intervenientes da cadeia de valor. Igualmente, aumento da produção, produtividade e consequente aumento da qualidade do produto de acordo com as exigências para exportação, melhorar o fluxo de produtos através de centros logísticos de mercado, tais como centros de recolha, armazéns e centros de mercado grossista e maior facilidade na transição da agricultura de subsistência para a empresarial”, descreveu o especialista.

Leia o artigo completo na edição de Fevereiro, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Embryonic production chain slows progress in agribusiness.

Angola is far from becoming a leading supplier of food products in Africa, despite favorable soil and climate conditions, a privileged geographical location, and a growing young population.

According to experts, the development of agriculture is caught in a paradox between increasing production and the emergence of a value chain. Low production does not stimulate the emergence of an agriculture cluster, but the absence of one condition the increase in production.

Despite having around 35 million hectares of land, of which only around 17% was used in the 2022-2023 Agricultural Year, and favorable soil and climate conditions, i.e., climate, relief, temperature, air humidity, radiation, soil type, wind, atmospheric composition and rainfall, Angola still falls short of its potential.

For Angola to raise production levels to the point of significantly reducing imports and boosting exports, it needs to have a robust processing industry (especially packaging), roads, transportation systems, access to water and electricity, and logistics platforms.

For agribusiness consultant António Kamutali, agriculture plays an important role. It employs 46% of the workforce and represents the main source of income for 90% of the 8.5 million Angolans living in rural areas.

To increase the relevance of this sector, the consultant mentioned electricity transportation infrastructures as fundamental to stimulating the emergence of manufacturing plants.

According to the university lecturer, results show that Angolan agribusiness is performing "unsatisfactorily", but he believes it has the potential to grow.

"The poor performance of Angolan agribusiness is mainly due to the use of inadequate agronomic practices, including the scarce use of improved technologies, especially the insufficient use of improved seeds, fertilizers, plant protection and irrigation technology, which contribute to low productivity," he explained.

The majority of agricultural inputs and technologies are imported, according to António Kamutali, which constitutes an almost insurmountable barrier for the majority of family farmers and small and medium-sized agricultural businesses who are unable to access them due to the high costs.

"Weak support infrastructure and poor market information also contribute to poor performance. These deficiencies are further aggravated by low technical capacity throughout the value chain, which starts with insufficient agricultural technical assistance and research institutions and low funding dedicated to technical assistance and research," he stressed.

However, he stressed, Angola's agribusiness development strategy should seek to increase domestic food supplies and should be built with the contributions of both small family farmers and national and international corporate farmers.

"More effective, specific and appropriate support for family farming should be considered in order to addresses its multifunctionality and provide a sustainable source of food, labor, rural and local development and representativeness in the structure of the agricultural sector, " he said.

According to António Kamutali, the aim should be to improve the functioning of food markets, by promoting an environment conducive to national private investment, focusing on binding restrictions on productivity growth, and thus fight hunger by increasing per capita production.

To this end, he stresses the need to look at innovation and technological change in a different light, expand irrigated crops and reduce food imports.

On the other hand, he stressed, there is a need to improve coordination between the different players in the value chain. "I believe that this would have a direct impact on the inclusion of small farmers in production intended for the formal market, easier access to knowledge and exchange of experiences, and the adoption of technology by those involved in the value chain. This would also lead to an increase in production, productivity and consequent increase in product quality in line with export requirements, improvement of the flow of products through market logistics centers, such as collection centers, warehouses and wholesale market centers and greater ease in the transition from subsistence farming to corporate farming," he stated.

Read the full article in the February issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).