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Agricultura. Infra-estruturas de distribuição “desatreladas” da locomotiva

A falta de centrais logísticas preparadas para a conservação dos alimentos e a não-distribuição nos grandes centros de consumo continuam na lista dos factores que impedem a prosperidade do sector.

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Isidoro Suka

O virar da página, na visão dos operadores da cadeia, passa, fundamentalmente, pelo cumprimento escrupuloso das políticas previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022 e pelo aumento da dotação financeira destinada para o sector da Agricultura no Orçamento Geral do Estado (OGE).

Relativamente ao tema, a Deloitte desenvolveu um estudo sobre o qual diversos operadores se debruçaram, identificando “um conjunto de desafios que limitam a eficiência e a eficácia da cadeia de abastecimentos”, embora tenham admitido “notórias melhorias verificadas nos últimos anos”.

Para os operadores económicos citados no documento produzido em Março de 2014, existem ainda constrangimentos logísticos que limitam a competitividade de alguns sectores-chave da cadeia de valor.

No capítulo que se refere às “Perspectivas do sector empresarial sobre os desafios logísticos de Angola”, as 55 empresas inquiridas no estudo mostraram-se preocupadas com as debilidades verificadas nas infra-estruturas, na mão-de-obra e nos processos alfandegários.

Já no que diz respeito às fragilidades a nível das infra-estruturas, o estudo denominado “Logística em Angola: Desafios actuais e perspectivas de desenvolvimento”, considera críticos os sectores dos Transportes, da logística e das Telecomunicações.

Operadores defendem mais pragmatismo

Vários constrangimentos persistem no que à cadeia de valor do sector agrícola se refere, o que, na visão dos interlocutores da Economia & Mercado, impede a sua prosperidade. Para o presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA), no país a agricultura ainda é essencialmente manual, o que a distancia cada vez mais do sonho de se ter verdadeiramente “uma produção nacional em grande escala que atenda às necessidades” de consumo interno. Assim, realça Raul Mateus, “será muito difícil termos uma produção nacional em grande, considerando a exiguidade na utilização de recursos tecnológicos de rega, colheita, combate às pragas, que ajudariam a modernizar o sector.

Para o também empresário, “a falta de uma política clara que define e trace as linhas mestras de todo o processo produtivo nacional” é outra dificuldade premente do sector da Agricultura, daí que considera “necessário que haja um programa específico para a agricultura, definindo-se de forma inequívoca as regiões de produção, de acordo com condições de solo e climatéricas, e fundamentalmente dar-se o devido incentivo e benefícios fiscais” aos produtores, defendeu o presidente da ECODIMA.

Em Angola, referiu, o preço da cesta básica nunca esteve tão baixo (por comparação à moeda estrangeira) em face das necessidades de os operadores escoarem os seus produtos para ter liquidez e rotação de stock. Segundo o responsável, a arrecadação de receita fiscal na cesta básica “nunca foi tão alta”, sendo que o que “era isento deixou de o ser”.

O agricultor André Maiaia Filho entende que o Ministério da Agricultura e Pescas deve merecer a mesma atenção que o Ministério da Defesa, para que se possam contornar os actuais constrangimentos do sector. Afirmou que, em muitas regiões agrícolas, a produção ainda é arcaica, argumentando que o país não tem, por enquanto, fábricas de inseticidas e de outros insumos necessários para a produção. “Não temos nenhuma linha de montagem de estufas, ou seja, não temos nada. Como é que se vai fazer agricultura sem estas condições básicas?”, indagou-se.

André Maiaia Filho defendeu que “é preciso ir-se ao terreno, avaliar a sua dimensão, constatar o que se está a fazer, saber o que cada produtor pretende ou está a cultivar”, para que mereçam o apoio necessário da parte das autoridades. Conforme o interlocutor, há três anos vendiam-se facilmente os produtos do campo, mas hoje está cada vez mais difícil.

“Para nós que produzimos e fornecemos aos supermercados, temos custos acrescidos, porque temos de ser cuidadosos com a higiene dos produtos, acautelar a sua transportação e segurança. Devido a esses custos, hoje forneço produtos em menores quantidades”, afirmou, desolado.

Leia o artigo completo na edição de Junho, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Agriculture. Infrastructure for distribution “uncoupled” from the locomotive  

The lack of logistics centers properly prepared for food conservation and the non-distribution across the large consumption centers continue in the list of factors that prevent the prosperity of the agricultural sector in Angola.

The turning of the page, in the chain operators’ view, involves, fundamentally, a scrupulous compliance with the policies provided for in the National Development Plan (PND) 2018-2022 and the increase in the financial allocation for the Agriculture sector in the General State Budget (OGE).

As far as the subject is concerned, Deloitte developed a study on which several operators have addressed the matter, identifying “a number of challenges that limit the efficiency and effectiveness of the supply chain”, although they admitted “remarkable improvements in recent years”.

For the economic operators mentioned in the document produced in March 2014, there are still logistical constraints that limit the competitiveness of some key sectors of the value chain.

In the chapter on “Business Sector Perspectives on Angola’s logistical challenges”, the 55 companies surveyed were concerned about the weaknesses in infrastructure, labor, and customs processes.

On the subject of weaknesses in infrastructure, the study entitled “Logistics in Angola: Current Challenges and Development Perspectives”, considers the sectors of Transport, Logistics and Telecommunication as critical ones.

Operators Defend a more Pragmatic Approach

In the Economy & Market’s speakers’ view, several constraints persist as far as the value chain of the agricultural sector is concerned, which prevents its prosperity. According to the President of Angolan Companies Association for Modern Trade and Distribution ECODIMA), in the country the agriculture is still essentially manual, which is increasingly distant from the dream of being a large-scale national production that meets the needs of internal consumption. Thus, Raul Mateus highlights "it will be very difficult to have a large national production, considering the exiguity in the use of technological resources for watering, harvesting, fight against pests, which would help modernize the sector.”

For this businessman, the lack of a clear policy that defines and traces the master lines of the whole national production process is another difficulty in the agriculture sector. Hence, he defends that "it is necessary to have a specific program for agriculture, defining unequivocally the production regions, according to the ground and climatic conditions, and especially to encourage and give fiscal benefits to the producers.”

He added that “In Angola, the price of the basic food basket has never been so low (against the foreign currency) in the face of operators’ needs to get rid of their products to have liquidity and for stock management/rotation.  According to the officer, the collection of tax revenue over the basic food basket has never been so high; so, what was an exemption is no longer it."

The farmer André Maiaia Filho considers that “the Ministry of Agriculture and Fisheries should deserve the same attention as the Ministry of Defense, so that the current constraints of the sector can be addressed.” He continued saying that “in many agricultural regions, production is still archaic, because, at the moment, the country doesn’t have factories of insecticide and other required inputs in production.” "We have no line of greenhouse assembly, that is, we have nothing. How agriculture can be made up without these basic conditions?” He wondered.

André Maiaia Filho defended that "it is necessary to go to the ground, evaluate its dimension, verify what is being done, get to know what each producer intends or is cultivating in order to deserve the necessary support from the authorities. According to this speaker, three years ago the country's products were sold easily, but today it is increasingly difficult. "For us who produce and supply supermarkets, we have additional costs, because we have to be careful with the hygiene of the products, transportation and security. Because of these costs, today I supply products in smaller quantities,” he said.

Read the full article in the June issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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