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Analistas prevêem uma economia com elevado “stress”

Ao contrário das projecções optimistas do Governo, muitos analistas mostram-se cépticos quanto ao ressurgimento, já em 2020, de um cenário macroeconómico menos penoso para os angolanos.

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Há quem considere que deverá haver um elevado “stress” sobre a economia no próximo ano, admitindo-se inclusive a existência de eventuais convulsões sociais.

Com um orçamento avaliado em mais de 15,9 biliões de kwanzas, o Governo prevê que a economia nacional deverá crescer 1,8%, suportada pelo crescimento de 1,5% do sector petrolífero e 1,9% do não petrolífero.

Entre outras expectativas, o Executivo antevê também progressos no que concerne à política cambial, precisamente na relação entre a taxa de câmbio do mercado formal e a do informal, cujo diferencial baixou para 26,6%, em Outubro de 2019, quando, em Dezembro de 2017, se situava nos 146%.

São esperadas também reduções assinaláveis no que toca à taxa de inflação, vaticinando-se que este indicador se situe nos 24,3% no próximo ano, devido aos ajustamentos tarifários em curso, nomeadamente os bens de consumo como a água, electricidade e os combustíveis. Mas, no médio prazo, prevê-se uma diminuição paulatina da taxa de inflação, que, segundo a proposta de OGE 2020, deverá atingir o nível de um dígito entre 2022 e 2023.

Entretanto, ao contrário das projecções optimistas do Governo, muitos analistas mostram-se cépticos quanto à existência, já em 2020, de um cenário macroeconómico saudável para os angolanos.

Para o economista Victor Hugo de Morais, o desempenho da economia nacional, em 2020, não será “positivo”, a julgar pela constante oscilação cambial que se verifica no Mercado, o que está a “tornar a cultura de preços um pouco incerta e o dólar cada vez mais caro”. Esta situação, segundo o entrevistado, vai fazer com que o volume de investimento projectado não seja alcançado.

“A economia vai ressentir-se porque a capacidade de importar também vai diminuir e, paralelamente, vamos ver aqueles pequenos comerciantes, que praticavam o comércio informal e dependiam do dólar da rua para ir à China comprar produtos – e que, por via disso, criavam alguns postos de trabalho –, a desaparecerem, piorando a pobreza”, referiu o também docente universitário, alertando que poderemos ter uma economia com “um stress muito elevado”.

Esta situação, a concretizar-se, advertiu, poderá resultar em convulsões sociais.

Leia mais na edição de Dezembro de 2019

Economia & Mercado – Quem lê, sabe mais!

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