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Angola continua a perder no combate às doenças endémicas

Força de trabalho saudável é crucial para a produtividade económica.
No entanto, em Angola, a Saúde está ameaçada por um “fardo” de doenças, como a malária, tuberculose e Sida.

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Em Angola, a malária continua a ser a principal causa de morte. De Janeiro a Março, o país registou mais de dois milhões de casos, dos quais 2.548 resultaram em óbito, mas suspeita-se que alguns casos não sejam do conhecimento das autoridades, devido ao confinamento imposto pela Covid-19.

Em termos comparativos, no primeiro trimestre deste ano houve um aumento de 190.398 casos em relação ao período homólogo de 2019. Quanto aos óbitos, de Janeiro a Março de 2020, registaram-se mais 467.

Contudo, apesar de os números subirem no gráfico, o coordenador do Programa Nacional de Luta Contra a Malária, José Martins, desdramatiza a situação. Num  recente pronunciamento à imprensa, apontou como principal causa da doença a falta deconscientização sobre as medidas de prevenção e a falta de mosquiteiros. A pulverização dentro e fora do domicílio é indicado pelo coordenador nacional do Programa Nacional de Luta Contra a Malária como a medida que as famílias devem seguir. José Martins assegurou que estão disponíveis testes rápidos nos hospitais e medicamentos para o tratamento da doença.

Entretanto, gestores de diferentes hospitais ouvidos pela Economia & Mercado (E&M) discordam do responsável, afirmando que “falta quase tudo”, daí a prescrição de receitas aos pacientes prescrição de receitas aos pacientes para comprar os medicamentos fora dos hospitais.

Em 2012, a malária foi responsável por 46% de todas as mortes e por 56% dos casos de mortalidade reportados no país, segundo o último Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016), do Instituto Nacional de Estatística.

Na visão do médico especialista em Saúde Pública Pedro Mateus Gomes, a malária mata muitas pessoas em Angola por falta de políticas exequíveis e investimento sério no sector. “É preciso que se compreenda, de uma vez por todas, que a construção de unidades sanitárias não constitui factor relevante para o combate eficaz da malária”, defendeu, argumentando que a doença só deixará de matar tantas pessoas em Angola e noutras partes do mundo caso se obedeça a critérios fundamentais, que passam por uma política nacional de cuidados primários de saúde eficaz e pela priorização do projecto de formação de activistas comunitários.

O também docente apontou a necessidade de se potenciar as administrações municipais e comunais com meios técnicos e humanos, além de recursos financeiros que permitirão uma melhor execução do saneamento básico nas comunidades.

Já para o gestor escolar Edson Marques, o combate à malária exige a criação de sinergias num contexto como o actual, em que o país não dispõe de verbas.

“No mundo, existem embaixadores da ONU para diversas causas. Em Angola, podemos começar com embaixadores comunitários para combater à malária, além das autoridades locais. É importante envolverem outras pessoas na causa”, defendeu, tendo acrescentado que o Estado precisa de transmitir o conceito de prevenção numa perspectiva educativa, com apoio das instituições de ensino.

Acesso limitado a hospitais públicos

Apenas cerca de 45% da população angolana tem acesso a unidades públicas de saúde, segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um país requer um mínimo de 4,45 médicos, enfermeiros e parteiras por 10.000 habitantes para uma cobertura adequada dos cuidados de saúde e para a concretização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em Angola, no entanto, havia um médico e 1,6 enfermeiros e parteiras por cada 10.000 pessoas em 2013. Apesar de cerca de 80% das situações de saúde terem solução ao nível dos cuidados primários, para o especialista em Saúde Pública, Pedro Mateus Gomes, “o país está mal no queres peita aos cuidados primários e preventivos de saúde, a começar pela falta de quadros especializados”.

Mateus Gomes afirma que muitas unidades trabalham ainda na base do improviso. “Esta é uma realidade que o país vive, motivada pela falta de políticas atractivas para os quadros em vários domínios da vida social”.

No que se refere às condições de tratamento nas unidades sanitárias, afirmou que há um contraste entre a melhoria da infra-estrutura hospitalar e a qualidade da assistência médica-medicamentosa, sendo que muitos hospitais públicos não dispõem de materiais gastáveis básicos.  

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