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Angola. Quatro anos de recuos, solavancos e avanços tímidos

Wilson Chimoco
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Foto:
JA Imagens

O actual Governo saído das eleições presidenciais de 2017 herdou um pesado farto da anterior estrutura. O país debatia-se com fortes desequilíbrios nas contas públicas e externas.

Ao assumir o comando do país, o actual Governo tinha, entre os desafios mais urgentes, a restauração da confiança dos investidores e a preparação das condições para um crescimento mais robusto e sustentado. Esse desiderato foi traduzido no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN -2018-2022) que, para além de procurar corrigir os males económicos e sociais que o país registava nos últimos anos, se propôs executar medidas de política económica que se apresentassem mais alinhadas às necessidades reais do país e melhorassem as condições de vida dos mais de 32 milhões de habitantes em Angola.

Com efeito, passados quase quatro anos da tomada de posse do actual Governo, é possível fazer-se uma avaliação que, mesmo não sendo conclusiva, permita perceber os sucessos e insucessos na execução do PDN 2018-2022.

Assim, vale dar-se nota ao desempenho da taxa de crescimento da economia do país, que já vai no seu sexto ano consecutivo de contracção, um desempenho nunca antes visto na história económica recente de Angola. A taxa de crescimento da economia, de acordo com as perspectivas inscritas no PDN 2018-2022, deveria fixar-se em 3,12%, anualmente.

As taxas definidas pelo Governo eram suportadas pelas perspectivas que se fazem sobre o crescimento do sector petrolífero em -2,0% e do não-petrolífero em 5,1%.

Contudo, conforme os dados das Contas Nacionais, os objectivos ficaram por se cumprir. Primeiro, porque a taxa de crescimento se manteve em terreno negativo ao longo do período em referência; segundo, porque as bases para que a economia cresça de forma robusta e sustentada estão longe de se verificar, com o sector petrolífero ainda a concentrar perto de 30% do PIB global, e as perspectivas que se fazem para a próxima década mantêm a taxa de crescimento da economia perto dos 3%, um nível insuficiente para assegurar maior inclusão social e redução das desigualdades no país.

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Four years of setbacks, bumps and slow progress

The current government, which came out of the 2017 presidential election, inherited a heavy burden from the previous one. The country was struggling with severe imbalances in the public and external accounts and had had two consecutive years of negative growth rates.

After taking office, one of the most urgent challenges for the current government was restoring investor confidence and preparing conditions for more robust and sustained growth. The intention to achieve that was reflected in the 2018-2022 National Development Plan (2018-2022 NDP). In addition to seeking to overcome the economic and social hardships that the country has been experiencing in recent years, the NDP aimed to implement economic policy measures that were more in line with the real needs of the country and improve the living conditions of the more than 32 million people living in Angola. Indeed, almost four years after the current government took office, it is possible to make an assessment that, although not conclusive, allows us to understand the successes and failures in the execution of the 2018-2022 NDP.

Thus, it is worth highlighting the performance of the growth rate of the country’s economy, which is in its sixth consecutive year of contraction, something never before seen in the country’s recent economic history. According to 2018-2022 NDP forecasts, the economic growth rate should be 3.12%/year. The rates set by the government were supported by the outlook for growth in the oil sector, at -2.0%, and the non-oil sector, at 5.1%. However, according to National Accounts data, the goals were not met. First, because the growth rate remained negative throughout the period; second, because the bases for the economy to grow in a robust and sustained way are far from being attained. The oil sector still accounts for close to 30% of the global GDP and the forecasts for the next decade keep the economic growth rate at around 3%, which is insufficient to ensure greater social inclusion and reduction of inequalities in the country.

Read the full article in the Setember issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).