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Falta de saneamento e de água potável propicia o surgimento de doenças

Segundo o médico Jeremias Agostinho, especialista em Saúde Pública, grande parte das doenças advêm da forma como se colecta e tratam os resíduos sólidos, como se faz o controlo de pragas.

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A ausência de saneamento básico assim como o consumo de água não tratada são as principais fontes de várias doenças transmissíveis e não transmissíveis, como é o caso da malária, principal causa de mortalidade no país.

Angola confronta-se, desde Março, com casos de Covid-19, uma doença letal que fez parar o mundo. Depois de países europeus com sistemas de saúde amplamente elogiados terem passado por uma situação dramática, com altos índices de contágios dos quais resultaram dezenas de milhares de óbitos, especialistas receavam que o registo dos primeiros casos no país seria o início de catástrofe, devido, principalmente, ao débil sistema de saúde pública e ausência de saneamento básico, inclusive no casco urbano das principais cidades de angolanas.

Entretanto, num mês, Angola registou quase duas dezenas de casos da doença, um efeito que tem sido elogiado por vários sectores da sociedade, embora, de acordo com analistas, é necessário não cantar vitória antes do fim da partida. O principal receio de uma possível alteração do cenário, para pior, continua a ser, entre outras questões, o débil saneamento básico nas comunidades.

Segundo o médico Jeremias Agostinho, especialista em Saúde Pública, grande parte das doenças advêm da forma como se colecta e tratam os resíduos sólidos, como se faz o controlo de pragas e de outros agentes patogénicos, bem como do tratamento que é dado à água antes do consumo.

“Estes factores determinam o surgimento de doenças como a dengue, malária, diarreia, cólera, febre tifóide e febre-amarela, assim como hepatite A”, citou a fonte, que referiu que os moradores das zonas suburbanas ou rurais, grosso modo, estão mais propensos a contrair essas doenças. “É preciso que as pessoas sejam instruídas, para que consigam prevenir-se”, defendeu.

De acordo com Jeremias Agostinho, é necessário que as unidades públicas de saúde estejam mais próximas dos cidadãos para prestarem o devido acompanhamento às comunidades, tendo em conta o grau de vulnerabilidades a que as pessoas estão sujeitas.

Celestino Costa Sabino, morador do bairro periférico Matador, no distrito do Morro dos Veados, no município de Belas, sente “na pele” a ausência do saneamento básico e das limitações no abastecimento de água potável. Residente nesse bairro há mais seis anos, com a família, qualificou o serviço de recolha de lixo como débil, sendo que a zona conta apenas com um contentor para o efeito, facto que estimula o surgimento de muitos amontoados de lixo, um pouco pelo bairro adentro.

“Sem as condições básicas necessárias, é muito difícil cumprir com as regras de saneamento básico, assim como sem água é difícil fazer a higienização pessoal”, lamentou, tendo acrescentado que os serviços básicos de saúde e de ensino são prestados apenas por entidades privadas, muitas delas sem condições. “Estamos a sobreviver. A saúde é privada, ineficiente e muito cara”, desabafou.

Para ter acesso à água, os moradores do Matador dependem de camiões- cisterna que têm dificuldades de circular no bairro.

Em Luanda, os serviços de limpeza e saneamento básico contam, desde Abril, com a contribuição de efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA), para manter a cidade capital limpa e conter o impacto do novo coronavírus.

As autoridades anunciaram um reforço de 12 viaturas de grande porte para a pulverização da cidade. Segundo o Governador provincial de Luanda, citado pela Angop, o serviço de saneamento básico na província regista algumas melhorias, com a redução de grandes focos de lixo nos centros urbanos e nas vias principais. Contudo, Sérgio Rescova reconheceu que ainda há necessidade de se melhorar a limpeza nas zonas periféricas.

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